Por bferreira

Rio - Para quem gosta ou não, já começou o Rock in Rio. Aqui é assim: a população é refém de qualquer tipo de evento, que acaba impedindo o direito do cidadão de ir e vir. Acontece no Carnaval, nos campeonatos esportivos, nas celebrações religiosas e até mesmo em manifestações. Fazer o quê? Temos que ser tolerantes, vivemos numa cidade que se autointitula metrópole, mas que, na prática, possui péssima infraestrutura.

Mas, dentro do evento, o clima parece ser de primeiro mundo. Pelo que já foi anunciado, o Rock in Rio conta com quatro grandes postos médicos e segurança reforçada, com 90 câmeras monitoradas em tempo real, além, é claro, de detectores de metal. Nem arma branca entra. Um juizado funciona lá dentro. Quem é detido na prática de delitos é levado a audiência de custódia no próprio espaço. Na escala, há quatro juízes por dia, divididos em dois turnos de trabalho. Olha que beleza!

Outros 500 funcionários estão de prontidão para fazer a limpeza em tempo real. Todo lixo é de alguma forma reaproveitado. Na última edição, foram redistribuídas 183 toneladas. Um espetáculo de sustentabilidade.

Há ainda dezenas de bebedouros, com água potável. Espaço reservado para cadeirantes, guarda-volumes, bares, banheiros e postos de telefones públicos que funcionam. Resumindo: saúde, segurança, justiça, limpeza, espaços com acessibilidade, água potável e banheiro público (de graça!) e, é claro, diversão, cultura. Só faltou escola.

Transporte, não precisa. Tem tudo perto. O codinome Cidade do Rock faz sentido. E confesso, não fossem alguns ritmos, a música alta e os preços exorbitantes das comidas e bebidas, ficaria curioso em viver lá. Afinal, é muita infraestrutura de qualidade em 150 mil metros quadrados.

Fico me perguntando por que a minha cidade, a de São Sebastião do Rio de Janeiro, nos 450 anos, não oferece tais serviços de qualidade e por este metro quadrado? Será que a Cidade do Rock oferece isso tudo por conta do valor do ingresso cobrado (R$ 350, a inteira)? Mas espera aí: com certeza o meu ingresso (traduzido em impostos) para viver no Rio é bem mais caro do que isso. Por que então não tenho tantos serviços assim? Acho que vou mudar de endereço. Me acompanha?

Marcus Tavares é professor e jornalista

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