Por bferreira

Rio - É triste ver uma família se sentar à mesa e não ter o que comer. É igualmente revoltante ver produtores e supermercados jogando comida fora. Não dá pra aceitar que essas duas situações absurdas se repitam diariamente, em grandes proporções. De um lado, mais de 500 mil pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no estado. Do outro, 670 mil toneladas de frutas, legumes e verduras são desperdiçadas anualmente no estado. É uma conta que não fecha e incomoda. Há muito tempo, sociólogos e economistas já concordaram que a fome não é causada pela falta de produção, mas, sim, pela má distribuição dos alimentos.

Foi pensando nisso que eu e o deputado Pedro Augusto apresentamos projeto de lei para criar o Programa de Redistribuição de Alimentos Excedentes. A ideia é reaproveitar os produtos em perfeitas condições de consumo, mas que são descartados porque perderam o valor comercial. Uma fruta levemente amassada, um legume menor do que o normal, um produto com a embalagem danificada, um laticínio próximo do prazo de validade. Todos esses alimentos são normais no sabor e no valor nutricional. E não representam risco à saúde. Mas os consumidores rejeitam pela aparência. E os supermercados acabam jogando no lixo.

Nossa proposta é que esses alimentos sejam coletados nos supermercados e distribuídos gratuitamente para entidades beneficentes. Os comerciantes que aderirem ganharão um selo, para os consumidores saberem que aquele estabelecimento não joga comida fora. E os produtos doados ficarão isentos de imposto. Ou seja, é bom pra quem doa os alimentos e melhor ainda pra quem recebe.

Já existe projeto parecido na Ceasa. E há várias iniciativas particulares, em pequena escala, de voluntários que fazem esse trabalho de coleta e distribuição de alimentos que seriam descartados. Mas precisamos de programa mais abrangente, que contemple todos os grandes estabelecimentos do estado. E que possa beneficiar um número ainda maior de pessoas. O Programa de Redistribuição de Alimentos Excedentes é a oportunidade perfeita de combatermos com um só remédio duas grandes chagas da nossa sociedade: a fome e o desperdício.

Tiago Mohamed é deputado estadual pelo PMDB

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