Wellington Ribeiro: Revitalizando a intervenção que deu certo

Campo de Santana: Algo tão profundo que, mesmo após 135 anos, se mantém como espaço verde no Centro da metrópole

Por O Dia

Rio - ‘Este formoso jardim, o mais belo que se pode encontrar no Centro de uma capital, vai ser hoje entregue para logradouro do público fluminense.’ Com estas palavras, era publicada na manhã de 7 de setembro de 1880, pela ‘Gazetilha do Jornal do Comércio’, a notícia de que finalmente o Centro do Rio ganhava a sua maior área verde. Era inaugurado pelo imperador D. Pedro II o ‘novo’ Campo de Santana.

Idealizado pelo paisagista francês August François-Maria Glaziou e executado com perfeição pelo brasileiro estudioso em jardinagem Francisco José Fialho, o Campo de Santana se tornava área diferenciada em todo o mundo porque unia o romantismo dos jardins ingleses aos célebres elementos da escola francesa de Alphand. Mistura que deu certo ao entrelaçar alamedas sinuosas com lagos, gramados, fauna exótica, majestosa arborização, pontes, troncos e bela gruta artificial. Uma intervenção artística tão profunda que, mesmo após 135 anos, se mantém como espaço verde no Centro da metrópole.

Assim, ao festejamos o aniversário do Campo de Santana, devemos aplaudir Glaziou e Fialho, não esquecendo de reservar parte da comemoração à nobre atitude do poder público da época, que buscou soluções para transformar totalmente um logradouro abandonado.

A lição que fica a todos os envolvidos na administração pública é clara: não basta só criar uma obra urbana, é necessário ter força para cuidar, manter e revitalizar o que de direito é do povo. Revitalizar, assim como estamos fazendo, é a missão que nos foi dada pelo prefeito Eduardo Paes para ver o Campo de Santana renascido. Um lugar onde a população possa novamente andar sem medo.

Um projeto em andamento, onde pensamos no todo e começamos pelas partes, replantando 75 mil mudas de forração, reabrimos a Gruta Glaziou, estamos recompondo a fauna exótica de pavões e cisnes e vamos recuperar os monumentos.

A novidade está na instalação de câmeras de segurança com infravermelho e que serão monitoradas pelo Centro de Operações. Essas intervenções vão nos garantir um futuro brilhante, como já citava a matéria de setembro de 1880.

Wellington Ribeiro é presidente da Fundação Parques e Jardins

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