Cid Benjamin: Juros altos, problema urgente e de todos

Cada ponto percentual de aumento nos juros significa mais R$ 30 bilhões na dívida

Por O Dia

Rio - Quando o governo aumenta os juros, as pessoas não sabem que sua vida vai piorar. Mas vai. O Brasil tem os juros mais altos do mundo. A Selic, que é a taxa básica e serve para o governo remunerar quem investe em seus papéis, é de 14,25% ao ano. Não há, no mundo, aplicação legal com tamanho rendimento.

Juros altos trazem recessão e inibem investimentos. Tornam mais caros produtos financiados, desaquecem a economia e aumentam o desemprego. E multiplicam a dívida pública. Cada vez que os juros aumentam, ela pula para cima, porque os papéis que o governo põe no mercado são indexados por esses juros.

O Orçamento deste ano prevê R$ 1,356 trilhão para rolar a dívida. Não é amortização, mas pagamento de juros. Para não ter que desembolsar essa fortuna, o governo remunera credores com novos papéis da dívida, o que a faz crescer ainda mais. Por isso, o gasto com juros (em dinheiro ou em papéis) em 2015 equivalerá a 47% do Orçamento.

Cada ponto percentual de aumento nos juros significa mais R$ 30 bilhões na dívida. E, de março de 2013 até agora, os juros subiram sete pontos. Isso representou, por ano, mais de R$ 200 bilhões adicionais na dívida. Menos recursos nas áreas sociais.

Por outro lado, a diminuição de um ponto percentual nos juros economizaria o equivalente a quase todos os gastos com Educação em 2015 (estão previstos R$ 38 bilhões). E redução de dois pontos permitiria economizar quase tudo o que o governo quer arrecadar com o atual arrocho fiscal.

Dizem que juros altos reduzem a inflação. Mas, então, por que ela segue alta? A explicação é outra: a submissão de Dilma aos bancos. Eles ganham com juros altos. Ganham ao emprestar dinheiro e ganham ao comprar os papéis do governo.

Os lucros dos quatro maiores bancos aumentaram 40% no ano passado. A indústria perdeu, o comércio perdeu e, principalmente, os trabalhadores perderam. Mas os bancos — ah, os bancos — estes tiveram lucros recordes. Juros altos premiam quem vivem ‘de renda’, punem os trabalhadores e a classe média. E prejudicam inclusive empresários do setor produtivo. Por isso, baixar os juros é uma necessidade. Mesmo que desagrade aos bancos.

Cid Benjamin é jornalista

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