Marcus Tavares: A dança das cadeiras na Educação continua

Educação pública tem que ser política de Estado, e não de governo

Por O Dia

Rio - Trabalhando há cerca de 20 anos como jornalista na área da Educação e, ao mesmo tempo, como professor de sala de aula, em diferentes realidades, aprendi e reitero: Educação pública tem que ser política de Estado, e não de governo. Não tenho dúvida de que todos os mandatários políticos deste Brasil, que enchem a boca para falar que a Educação é a saída, a solução para todos os problemas do país, sabem disso. Mas, lamentavelmente, poucos têm o pulso firme de não misturar as coisas. De não transformar a pasta da Educação em moeda de troca. Ontem, mais uma vez, essa triste realidade veio à tona com o anúncio das mudanças no governo federal.

Só neste ano, tivemos duas trocas no Ministério da Educação (MEC). O ano começou com Cid Gomes (76 dias trabalhados), que passou a bola para o professor Renato Janine Ribeiro (177 dias trabalhados), que, por sua vez, entrega, agora, a pasta para o então ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que já havia comandado o ministério entre 2012 e 2014.

É o toma lá dá cá. É a dança das cadeiras com o único objetivo de barganhar apoios e tramas políticas. Mudanças em favor de uma política educacional? Balela. Não dá para levar a sério governos como este. Educação e cultura não podem estar a serviço da politicagem. Todos sabem. Ainda mais — vejam vocês — num governo cujo slogan, lançado no discurso de posse da presidenta Dilma Rousseff, é “Pátria Educadora”.

Sabe-se que Educação é longo prazo, é processo. Diga-me: como é possível construir — ou até mesmo dar continuidade a — um processo que é interrompido? Como é possível construir um processo com mandatários (e, de quebra, todo o seu novo séquito) que não estão nos cargos por mérito, mas, sim, por conchavos políticos? Não, não dá. As sucessivas mudanças são catastróficas. Não é um ministro que se troca. É, digamos, um colegiado. E com ele, políticas e programas. O troca-troca deveria ser inadmissível.

Durante as negociatas do governo federal, foi cogitada a fusão dos ministérios da Educação e Cultura. Pelo menos isso não saiu do campo das ideias. Ainda bem. Não que seja contrário. Mas tal medida, se fosse adotada, não seria resultado ou proposta de uma verdadeira, consequente e contundente política de Estado. Seria mais uma politicagem. E disso estamos cheios.

Marcus Tavares é professor e jornalista

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