Por bferreira

Rio - Na rodada do campeonato alemão de futebol, as torcidas do Borússia Dortmund, Bayern de Munique, St. Paul e Werner Bremen levaram faixas aos estádios onde se lia “Bem-vindos refugiados“, um exemplo de tolerância em meio a violentos protestos xenófobos contra abrigos que recebem imigrantes.

Várias outras manifestações de solidariedade estão se desenvolvendo nos meios esportivos de vários países. Num brilhante artigo – Fronteiras do Futebol – o sociólogo Maurício Murad descreve, com inteligência, as relações de solidariedade e responsabilidade do mundo esportivo. Termina o artigo de forma lapidar : “Que o futebol multiplique e continue dando esse bom exemplo, de um fair-play político, social, cultural e sobretudo humanitário “ .

O mundo inteiro ficou chocado com as cenas de sofrimento dos refugiados, particularmente com as crianças. A cena da criança de 3 anos carregada morta por um militar provocou um imenso mar de lágrimas em toda a humanidade. Estas mortes não são acidentes, são crimes. São crimes provocados pelas intervenções militares no Iraque, na Líbia , na Síria e outros países.

A partir dessas intervenções surge o Estado Islâmico, financiado pela Arábia Saudita e outros “ países do Golfo “, que compraram 60 bilhões de dólares em armamentos sofisticados dos Estados Unidos e repassaram parte dos armamentos para os terroristas com a finalidade de destruir o governo da Síria. Mercenários de todo o mundo são treinados para destruir a Síria, e aí acontece o efeito bumerangue.

Iraque, Líbia e Síria destruídos, 80% do petróleo nas mãos das empresas transnacionais, 20% sob o controle dos grupos radicais e 8 milhões de refugiados, vítimas do imperialismo econômico e dos fanáticos religiosos.

Somente com a consciência mundial da cidadania, poderemos deter o complexo industrial militar. O povo dos Estados Unidos e da Europa precisa pressionar seus governantes para deter a máquina de guerra que destrói a raça humana.

O futebol pode contribuir pela sua penetração mundial e ajudar humanizar o espírito de fraternidade dos povos.

Walter Oaquim é grande benemérito do C.R. Flamengo

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