Fernando Scarpa: Palavras ao vento de uma cabeça de vento

Não tem a presidenta uma assessoria que diga a ela o valor e o peso do que diz uma chefe de Estado?

Por O Dia

Rio - É irresistível não comentar a fala da presidenta ‘cabeça de vento’ sobre a possibilidade de armazenar vento para produção de energia. Que o vento é usado e canalizado gerando luz não é novidade para ninguém. A questão que perturba a senhora presidenta se fecha na instabilidade do vento durante o dia, demandando assim a possibilidade de armazená-lo. Nesse momento surge a divagação hilária sobre como estocá-lo, do mesmo modo que se estoca água, “que é fonte de produção de energia barata”. 

A presidenta faz considerações na mesma instabilidade do vento que a perturba. Dizer que a água é gratuita, convenhamos, já é uma pérola da sandice. Ela mesma, ao acabar de falar, parece duvidar do que disse. Imagine quem escuta! Muito criativa e espontânea, deixa fluir o raciocínio em torno dos custos da energia elétrica e ‘tenta’ resolver o problema. Nesse segmento, sugere ao meio tecnológico a possibilidade de se inventar algo semelhante a uma usina de vento armazenado.

Muito interessante o caminho para o barateamento da energia que depende do volume de água, escassa no momento, para acionar as hidrelétricas. Ainda correndo contra e atrás de uma brisa, no gênero doida, ela segue soltando palavras ao vento. Em alguns horários, ele sopra mais intenso do que em outros, daí a necessidade de se estocá-lo. Dentro dessa temática, Dilma funciona como Mary Poppins, que, ao sair de casa, vai para onde o vento a leva. Nossa presidenta, como a personagem da Disney, está literalmente falando ao sabor do vento.

Não tem a presidenta uma assessoria que diga a ela o valor e o peso do que diz uma chefe de Estado? Que fornecer material gratuito para as redes sociais sobre ideias estapafúrdias num momento de crise como este só enfraquece seu já roto poder?

Brincar com certas ideias engraçadas numa reunião social ou entre amigos, tudo bem, mas num pronunciamento, convenhamos, é complicado. Já coloquei para rodar diversas vezes no YouTube ela falando, fico olhando, escutando e não acredito que seja verdade. Olho a fisionomia da Dilma tentando mostrar convicção sobre o que dizia sem a menor noção das consequências do que sai de sua boca. Seu olhar e dificuldade de manter um raciocínio coerente no discurso deixa reflexões: não seria o caso da psiquiatria do país se pronunciar?

Fernando Scarpa é psicanalista

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