Editorial: Impunidade ou coleguismo com ônibus?

As viações conseguem, com suas filigranas e gambiarras, reduzir a punição praticamente à metade

Por O Dia

Rio - O  Estado consegue ser bastante duro com o motorista em falta com suas obrigações: armam-se blitzes com o simples intuito de pegar gente inadimplente com as taxas e multas; também são comuns operações para rebocar veículos sem as vistorias de praxe. Tal severidade, contudo, não é observada quando o infrator é o condutor de ônibus. Como O DIA mostrou nesta terça-feira, viações driblaram 40% das multas impostas pela prefeitura nos últimos cinco anos. Muitos dos autos até prescreveram.

Para o cidadão que depende de condução todo dia, a matemática da impunidade é cruel: de nada adiantam as reclamações por maus serviços prestados — aí incluindo patadas de motoristas e condições inadequadas dos veículos. As viações conseguem, com suas filigranas e gambiarras, reduzir a punição praticamente à metade.

Não se pode achar justo um sistema que não perdoa o cidadão comum e parece não se importar com calotes de graúdos. Pior: num segmento onde falhas podem pôr em risco dezenas de vidas.

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