Roberta Costa Marques: Construção coletiva para educação efetiva

Os mais interessados na formulação das políticas educacionais, as próprias crianças e adolescentes, não são regularmente ouvidos e têm seus espaços de participação subutilizados

Por O Dia

Rio - Desde a Redemocratização, há demanda crescente por participação social e ampliação dos direitos básicos, como Saúde e Educação. Ao mesmo tempo, o desafio de garantir os direitos previstos, em nível local, são enormes diante da pouca integração entre as políticas, da baixa participação da sociedade civil e da alta burocracia estatal.

Não é diferente na implementação de políticas públicas para Educação no Rio de Janeiro. Aqui está localizada a maior rede municipal de escolas da América Latina, com quase mil unidades, 44 mil professores e 665 mil alunos. Os indicadores educacionais são preocupantes, especialmente no segundo segmento, no qual apenas 35% sabem ler e interpretar textos ao fim do nono ano, segundo dados da Prova Brasil em 2013.

O segundo segmento do Ensino Fundamental é a etapa dos adolescentes, público que é a mais pura representação dos dias atuais, trazendo novos modos de aprender e se comunicar além de colocar em cheque a educação do século passado que ainda resiste dentro das escolas. Há algo estruturante a fazer e que passa por três políticas públicas prioritárias: um currículo que dialogue com o mundo atual e com esse novo estudante; formação dos professores de múltiplas formas tendo a tecnologia como aliada; e o aumento da banda larga nas escolas, aproximando alunos e professores.

A integração da escola à vida é tão complexa que impõe um desafio ainda maior. Embora existam mecanismos institucionais de participação social, estes não necessariamente funcionam a contento. Além disso, os mais interessados na formulação das políticas educacionais, as próprias crianças e adolescentes, não são regularmente ouvidos e têm seus espaços de participação subutilizados. Por fim, não é possível transformar a Educação em escala atuando isoladamente. É necessário que as políticas públicas busquem contemplar a ampla diversidade e incluir, em sua construção, o conjunto de atores sociais e os diretamente envolvidos, em especial estudantes, professores, gestores públicos e sociedade civil.


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