Jaguar: Sem Miele. E agora?

A coisa está muito mais divertida lá em cima, como mostrou a charge do Chico Caruso: Miele botando o papo em dia com Millôr e Chico Anysio

Por O Dia

Rio - A coisa está muito mais divertida lá em cima, como mostrou a charge do Chico Caruso: Miele botando o papo em dia com Millôr e Chico Anysio. Graças ao Tarik de Souza, que tem a coleção completa do ‘Pasquim’, transcrevo frases avulsas da entrevista no número 78, de 30 de dezembro de 1970. Ele tinha 32 anos, e eu, 38. “Meu nome é Luís Carlos D’Ugo Miele. Recebo muitas cartas assim: para o senhor Miele Bôscoli; pra minha mulher, mandam madame Anita Miele Bôscoli, o Ronaldo é também Ronaldo Miele Bôscoli. O pessoal diz: lá vai o marido da Elis Regina. Queria explicar de uma vez por todas que sou casado com Ronaldo Bôscoli. Dou um duro danado. Produzo para a televisão Roberto Carlos, Elis Regina, Simonal, não tenho tempo de fazer coisas para mim. Anita nunca me viu sem barba. Eu mesmo não me lembro de ter visto. Não faço quase tudo, faço tudo quase. Eu quase canto, quase danço, quase sapateio.Eu passo perto. Meu pai era ferroviário. Era duro, bicho.” Miele teve que deixar os estudos no terceiro ano primário para encarar o batente, mas é um dos caras mais sofisticados que já conheci.

Quando mudou de São Paulo para o Rio, com 22 anos, durango — como se dizia na época —, dormia dentro das manilhas da construção do Aterro, dividindo o espaço com baratas. Não tinha grana, mas esbanjava simpatia e foi se enturmando, inclusive na Globo. “Eu morava com o Roberto Maia, e mudamos para um apartamento emprestado por um amigo. Ele disse assim: ‘Vocês podem ficar aqui, mas sem ligar a luz ou o gás; meu pai fica sabendo que tem alguém no apartamento porque a conta vai pra ele.’ Eu só tinha uma camisa e uma calça (mas sempre estava impecavelmente elegante).” “Uma vez saí com uma garota superenturmada, e fomos assistir a um filme no apartamento de um amigo dela na Avenida Atlântica. Sentei numa cadeira de vime, e quando saímos a calça rasgou bem na bunda. Ela tranquilamente dizia: ‘Vamos até a tua casa que você troca de calça.’

O problema é que eu não tinha casa nem calça. Ela escondeu o rasgão com a bolsa, e saímos. Fomos para uma boate, e eu bebia sem parar porque tinha que fazer a moça desistir de me levar para casa. Ela acabou indo embora. No dia seguinte, pedi um calção emprestado a um cara para poder sair e arranjar outra calça. Fui para a Globo de short. Ninguém entendeu, porque chovia paca.” Semana que vem conto como Miele se virou para arranjar outra calça. E, falando sério, vocês vão saber qual era sua opinião (nada favorável) sobre o Ibope.


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