Por felipe.martins
Publicado 26/10/2015 22:39

Rio - ?A história do capitalismo mostra que em época de recessão quem mais sofre são os pobres. Na depressão econômica dos anos 30, nos EUA, Franklin Roosevelt, estabeleceu uma série de medidas de alcance social para proteger os americanos que estavam em estado de pobreza absoluta. Criou o seguro-desemprego e um sistema de proteção para os aposentados.

Diante de outros ciclos de crise econômica, Bill Clinton e Barack Obama priorizaram o social para eliminar a pobreza sob os efeitos das políticas de governos conservadores. Tony Blair seguiu as mesmas políticas numa época em que na Inglaterra os índices de pobreza estavam em alta.

Aqui no Brasil, em plena crise de governabilidade e da atividade econômica, o debate conservador coloca em pauta para o ajuste fiscal o corte do Bolsa Família que representa em gastos por ano, para atingir 14 milhões de pobres, menos de 0,5% da taxa Selic paga para remunerar investidores em títulos públicos.

Neste cenário de recessão com taxa de juros mais alta do mundo, os bancos batem lucros recordes. Só de juros da dívida pública o aumento bate R$ 484 bilhões. O Banco Central em operações cambiais gastou outros bilhões para desacelerar a subida do dólar que chegou a R$ 4.

Olhando o mapa geopolítico do país, com base na última eleição, a presidenta Dilma teve na Região Nordeste 70% dos votos, 20 milhões de votos, o suficiente para compensar sua derrota no Estado de São Paulo. No campo político, os efeitos da crise chegaram ao Nordeste, mostrando que o programa Bolsa Família já não é suficiente para sustentar os índices de popularidade herdado do governo Lula. O ex-presidente em recente visita ao Piauí foi vaiado e até os índios andaram protestando contra a presidenta. O modelo se esgotou.

No mapa do Bolsa Família, o número de beneficiados chega a mais de 50% da população que votaram na presidenta. Os grotões com menos de 25 mil eleitores, alguns municípios, 80% da população dependem do Bolsa Família.

No momento de profunda crise, Eduardo Cunha, representante da ala mais conservadora do Congresso e seus aliados jogam politicamente para asfixiar o governo Dilma. Colocam em colapso soluções para o Brasil sair da recessão e por insensatez ainda querem cortar o Bolsa Família dos pobres.

Wilson Diniz é economista e analista político



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