Marcos Espínola: Educação é primordial e começa em casa

Se esse menino faz isso na escola, imaginem o que fará dentro de casa quando contrariado?

Por O Dia

Rio - As recentes imagens de um aluno de 7 anos literalmente destruindo uma sala de aula chocaram não só o mais conservador profissional da área de Educação, mas também toda a sociedade. Pirraça? Rebeldia? Ousadia? Mimo? Tudo isso? Muitas podem ser as classificações para justificar tamanha agressividade da criança, porém a ausência de um ingrediente pode definir tudo: educação.

Nesse sentido, a discussão torna-se ampla, e a má qualidade do ensino é sem dúvida um fato, porém não o único, pois a escola é a continuidade da educação que vem de casa. Não é de hoje que especialistas apontam para um posicionamento de muitos pais que, nitidamente, transferem para a escola a obrigação de educar, o que é um enorme equívoco.

Se esse menino faz isso na escola, imaginem o que fará dentro de casa quando contrariado? Pior, e quando a vida fizer isso? As consequências na sua formação podem ser tamanhas, tendo em vista a aparente falta de limites e de respeito com os mais velhos, com o sentido de hierarquia e o convívio social.

Sou de um tempo em que dentro de casa a exigência era maior do que qualquer outro lugar. Os pais, não só os meus, priorizavam os valores familiares e sociais e os princípios básicos de cidadania que preparavam as crianças para lidar com o próximo. Tudo começava com a obrigatoriedade do comprimento (bom-dia, boa-tarde, boa-noite), passando pela utilização do senhor e senhora até a obediência e respeito aos mais velhos sem distinção.

Na escola recebíamos a continuidade desses princípios. Tínhamos aulas de Educação Moral e Cívica, disciplina cuja definição dispensa comentários. Tínhamos também OSPB (Organização Social e Política do Brasil), onde éramos, desde cedo, convidados a entender o Estado, a constituição e, consequentemente, direitos e deveres. Infelizmente, com o abandono da Educação e, pior, a politização do setor, tudo isso foi deixado de lado e chegamos a um sistema quase falido.

Enfim, ainda que sejamos prejudicados pela má qualidade da Educação oferecida pelo Estado, não podemos nos descuidar nos valores que passamos aos nossos filhos. Tudo começa em casa; porém, com esse episódio, surge o alerta de que estamos com problemas dentro e fora do lar, o que é cada vez mais preocupante.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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