Luiz Eduardo F. de Abreu: Hora de ajuste nas contas

Quando o país passa por momento de crise, é necessário mudar algumas posturas com relação à forma que lidamos com nosso dinheiro

Por O Dia

Rio - Quando o país passa por momento de crise, é necessário mudar algumas posturas com relação à forma que lidamos com nosso dinheiro. O passo mais importante é deixar de consumir produtos supérfluos e concentrar naqueles que possam minimizar nossa fragilidade diante da crise.

O mais importante nesta hora é ter recursos para suprir a falta do salário, caso venha a perder o emprego. Pode vir de uma poupança, de um bem que possa ser vendido ou mesmo de um seguro contratado, coisa que os brasileiros quase ainda não possuem.

Desempregado, você pode até pedir emprestado ao um amigo ou familiar, mas, para conseguir, deve oferecer garantias que será no futuro um bom pagador, quando tiver novo emprego. Uma boa garantia é sua formação profissional. Pessoas bem qualificadas tendem a conseguir emprego com mais facilidade.

Ou seja, hoje Educação não deve ser vista como investimento supérfluo. Em vez de investir uma grana em viagem, não seria melhor fazer o curso que algum tempo você vem adiando? Mas antes de investir em qualquer coisa, o mais importante é se livrar das dívidas. Estamos com juros muito altos no cheque especial e no cartão de crédito.

Se você vive contando com o cheque especial como se já fosse parte do seu salário, vive pagando valores do cartão de crédito abaixo do valor da fatura, refinanciando a dívida, ou se leva um tremendo susto quando vê a fatura, pois só neste momento percebe que gastou muito mais do que devia, certamente é hora de rever como lida com o dinheiro.

Primeiro, deve-se pagar as faturas vencidas do cartão — que possui juros muitos altos — e depois o cheque especial. Você pode ir ao banco, renegociar suas dívidas e procurar uma linha de empréstimo mais em conta para pagar. Na semana passada, o governo anunciou que é possível pegar emprestado um valor que corresponda até 35% da sua renda. Mas lembre-se: pegue empréstimo para saldar dívidas e não para comprar supérfluos.

Passado este momento, será a hora de pensar em acumular dinheiro, gastando menos no dia a dia e investindo em algum tipo de aplicação financeira. Temos que estar preparados para uma eventual perda de emprego, situação de emergência com saúde. Todos têm que poupar.

Luiz Eduardo F. de Abreu  é professor da FGV

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