Editorial: Desastre que multa alguma vai compensar

O governo federal fixou em R$ 250 milhões a multa pelo desastre ambiental da Samarco em Mariana e no Rio Doce, cujos efeitos serão sentidos por muitos anos. Será o bastante?

Por O Dia

Rio - O governo federal fixou em R$ 250 milhões a multa pelo desastre ambiental da Samarco em Mariana e no Rio Doce, cujos efeitos serão sentidos por muitos anos. Será o bastante? Os números são expressivos. Os mortos provavelmente chegarão a duas dezenas; 500 famílias perderam tudo; meio milhão de pessoas ficou ou ficará sem água; e estimam em 100 anos o tempo que a natureza levará para se recuperar plenamente do mar de lama.

O que mais choca, porém, não são as dimensões do derrame: são os indícios cada vez mais sólidos de que não foi fatalidade. O Ministério Público assegura ter alertado sobre falhas na operação da barragem. O plano de socorro também se mostrou insuficiente — com avisos “por telefone” —, e nada pôde ser feito para conter o tsunami de rejeitos químicos.

Assim como não foi acidente, não se pode classificar o ocorrido como algo banal. Talvez seja o pior desastre ambiental do país, mostrando mais uma vez a praga da falta de proatividade. Multas evitarão novas tragédias?

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