Jaguar: Eu não existo

Acho que eu deveria constar no ‘Livro Guinness dos Recordes’ como o único jornalista que não tem e-mail

Por O Dia

Rio - Acho que eu deveria constar no ‘Livro Guinness dos Recordes’ como o único jornalista que não tem e-mail. Quem me pergunta passa da indignação (pensa que estou debochando) ao pasmo (ao ver que estou falando sério). Virtualmente, não existo. Ou, na melhor das hipóteses, sou um homem de Neandertal, 32 a.G (antes de Gates, que nasceu em 1955). Vou dar uma de profeta: a velha medida de tempo, a.C.(antes de Cristo) será trocada, mais cedo ou mais tarde, por a.G. Um amigo se ofereceu para criar um blog para mim. Não tenho a menor ideia do que vem a ser um blog.

Para mim, lembra um personagem que inventei na época do ‘Pasquim’: Gastão, o Vomitador. Blog parece onomatopeia de ânsia de vômito. Mas o cara insistiu tanto que acabei concordando. Em casa temos toda a tralha: computador, scanner, impressora e tal porque Célia, que é professora, usa a internet para orientar seus alunos de mestrado e doutorado. Quanto a mim, sou um analfabeto virtual, ignoro totalmente o jargão de computador. Por exemplo, o termo ‘Baixar o Aplicativo’ pra mim é grego, não tenho a menor ideia do que se trata. É verdade que mandei esta crônica pela internet. Célia deixou tudo pronto, só tenho que digitar o texto.

Ou seja: uso computador como máquina de escrever. Depois ela envia para o jornal. Mas, voltando ao blog. Meu amigo avisou que já estava instalado. “E aí? Que faço agora?”, perguntei. “Pode postar o que quiser: cartuns, crônicas, palpites, qualquer coisa.” Foi o que fiz: escolhi um velho cartum, publicado na saudosa ‘Revista da Civilização Brasileira’, um texto da não menos saudosa revista ‘Senhor’ e uma piada que me contaram (leia abaixo). Pouco depois começaram a chover comentários, alguns elogiando, outros me esculhambando. “Quem são esses caras? O que eles querem?” “São seus seguidores”, explicou meu amigo. “Mas não quero que ninguém me siga, principalmente gente que não conheço!”, gritei, já meio assustado. “Seguidores ou perseguidores? Desativa esse troço! Não quero ninguém atrás de mim!” O cara disse que não tinha volta, eu já estava no espaço virtual. “E se eu escrever que vou me jogar pela janela? Meus seguidores vão fazer o mesmo?” “Por que não experimenta?”, respondeu o sádico.

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A piada é boa: o novo-rico mandou o filho estudar inglês em Oxford. Dois meses depois, ligou para ele e perguntou como ia o seu inglês. “Está no banho, papai.”

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