Marcos Espínola: Somos todos vítimas de guerra... a nossa guerra!

É difícil para todos compreender o que está acontecendo, mas, lamentavelmente, chegamos a um estágio no qual os cidadãos de bem estão sendo colocados uns contra os outros

Por O Dia

Rio - ‘Trabalhador... dentista, frentista, polícia, bombeiro... trabalhador brasileiro.’ O trecho da canção de Seu Jorge resume de forma criativa o nosso povo na batalha diária, mesmo com todas as dificuldades. No entanto, a violência tem sido impiedosa, transformando nossas rotinas e tornando as cidades em praças de guerra. No olho do furacão, nós, população, polícia e bandido, formando o tripé da realidade sangrenta.

Vários episódios retratam o cenário do Rio. Em plena luz do dia, cenas de terror, com tiroteio que parou o trânsito, com disputa destemida entre facções, ameaçando a vida de inocentes. A cena de um pai em busca de abrigo atrás do carro na Linha Vermelha foi o cúmulo do absurdo.

A sensação de perigo é constante, e a polícia luta para frear essa onda; porém, como ratos, a bandidagem está em toda parte. O policial também se encontra numa posição delicada, sendo obrigado a ficar em alerta total. Como os gladiadores na idade média, que eram jogados na arena, diariamente eles estão no confronto direto com delinquentes sem saber de onde eles vêm.

Com isso, infelizmente, algumas tragédias aconteceram e, por mais que a população não entenda, o policial vive em estado de estresse, levado a reações cujo desfecho nem sempre é o esperado. Mortes cuja definição é a mais pura fatalidade, pois certas atitudes são movidas pelo instinto de sobrevivência. A legítima defesa putativa que é quando alguém erroneamente se julga em face de agressão atual e injusta, e, portanto, legalmente autorizado à reação que empreende. Traduzindo, é quando alguém avalia uma situação de ameaça ou perigo, reagindo de forma a defender seu semelhante ou a si mesmo.

É difícil para todos compreender o que está acontecendo, mas, lamentavelmente, chegamos a um estágio no qual os cidadãos de bem estão sendo colocados uns contra os outros. A população desconfia da polícia e a polícia da comunidade, pois esses trabalhadores são criticados quando é considerado omisso, mas também “condenado” pela sociedade quando há uma vítima que não tem antecedentes criminais.

Esse é o dilema que vivemos. Não só no Rio, mas em todo o país. Um clima de tensão e incertezas sem fim. Uma guerra declarada e, como em toda guerra, com muitas vítimas a cada dia.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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