Sergio Bandeira de Mello: Usar gás em casa é seguro

Entender onde de fato mora o perigo é o passo número um para garantir a segurança

Por O Dia

Rio - O acidente envolvendo gás, ocorrido em um restaurante em São Cristóvão, mês passado, sensibilizou a população do Rio de Janeiro, que, perplexa, viu mais uma vez como a falta de cuidados no uso do gás — e não o próprio produto em si — pode trazer riscos para consumidores e para quem está ao redor. O episódio, que entristeceu a todos nós, sobretudo por afetar a vida de famílias inteiras que perderam suas casas e foram diretamente impactadas, trouxe também uma importante lição: não se pode negligenciar as normas de segurança, sejam elas quais forem.

Apesar de a perícia ainda não ter elaborado um relatório final, visto que o trabalho rigoroso dos técnicos que investigam o acidente requer tempo, é possível tirar pelo menos uma conclusão sobre a qual não pairam dúvidas: botijão de gás é seguro — as cenas do acidente mostraram que os vasilhames saíram intactos; portanto, eles não explodem. Noventa e cinco por cento dos lares brasileiros utilizam botijões, vários estabelecimentos comerciais também. Diante dessa enormidade de usuários, é ínfimo, em termos quantitativos, o número de acidentes, o que não os torna desprezíveis.

Onde está o risco, então? Se o botijão é seguro — e de fato o é — há de se prestar atenção em tudo o mais que o cerca. As instalações, por exemplo, obedecem aos procedimentos de segurança? O ambiente é devidamente ventilado? Se há armazenamento de botijões, em que condições é feito?

A questão segurança parece então estar ligada ao uso adequado, seja de energias seja de equipamentos. E essa atenção cabe a cada usuário. Nem o fornecedor, nem mesmo os órgãos públicos podem garantir que as pessoas usem energia elétrica, elevadores, carros, gás, aviões e tudo o mais de forma prudente. Portanto, não podemos culpar o gás pelo acidente, da mesma forma que não podemos culpar o carro quando ocorre um atropelamento ou a energia elétrica quando alguém leva um choque. Entender onde de fato mora o perigo é o passo número um para garantir a segurança.

Sergio Bandeira de Mello é presidente do Sindigás

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