Por bferreira

Rio - Outro dia me disseram que meus textos trazem sempre um olhar negativo das coisas. Pode até ser, mas, francamente, nos últimos meses, em especial, está difícil se calar diante de tantos absurdos. Não vou nem falar sobre os últimos episódios sórdidos que acontecem em Brasília. Fico por aqui mesmo, no Estado do Rio. Na última quarta-feira, fomos surpreendidos com o anúncio de que a Biblioteca Pública de Niterói e a Biblioteca-Parque Estadual, localizada na Avenida Presidente Vargas, estavam fechando as portas por contra da crise financeira pela qual passa o governo do estado. E mais: que outras duas unidades, a de Manguinhos e a da Rocinha, passariam a funcionar em horário reduzido.

Eis aí a importância que as nossas autoridades dão à Educação. Provavelmente, só visitaram tais bibliotecas no dia da inauguração. Desconhecem ou fazem pouco caso do valor da literatura, da leitura, do encontro, do diálogo. Isto porque não frequentam. Porque não devem ler os relatórios de visitas, de empréstimos de livros, de visionamento de filmes e de uma série de discussões e debates. Não sabem medir o impacto transformador do capital cultural e social dentro da sociedade. E talvez acham que cultura e educação é uma benesse do poder público. Não é. É dever do Estado. É direito do cidadão.

Só a Biblioteca-Parque Estadual tem capacidade de receber cerca de 5 mil pessoas por dia. Possui 200 mil títulos e cerca de 20 mil filmes. E estava promovendo encontros — gratuitos — de extrema relevância, como seminários internacionais e bate-papo com escritores. A biblioteca ficou fechada quatro anos. Foi reaberta em 29 de março de 2014, depois de o mesmo governo do estado investir cerca de R$ 70 milhões.

Na época, o então vice-governador e coordenador de Infraestrutura, hoje governador Luiz Fernando Pezão, disse em matéria publicada pelo portal do governo do estado: “Nós estamos entregando um patrimônio cultural que é a realização de mais um sonho do nosso governo. A Biblioteca-Parque Estadual, além de ser um legado para o Rio de Janeiro, contribui para a revitalização do centro da cidade”.

Vinte meses depois, a história é outra. Li que a Prefeitura do Rio pretende repassar verbas para o estado para manter as unidades abertas. Mas pelo que parece é até dezembro. E depois?

Marcus Tavares é professor e jornalista

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