Editorial: Vingança com dispositivos democráticos

A legitimidade do processo de impeachment é questionada também pela idoneidade de quem decidiu

Por O Dia

Rio - Por mais que se jure o contrário, é difícil refutar a tese de vingança neste imbróglio do impeachment da presidenta Dilma. Acuado no Conselho de Ética e sem o apoio dos petistas, Eduardo Cunha, ciente de suas prerrogativas como presidente da Câmara dos Deputados, acolheu pedido parado na Casa havia semanas, numa ‘conveniência’ intrigante.

A legitimidade do processo é questionada também pela idoneidade de quem decidiu. Cunha, com as contas que garante não possuir, não está em posição favorável para guiar o país em momento tão delicado — mas o faz e ainda se agarra a “pedidos das ruas” para embasar o processo.

Erros e teimosias do governo levaram o país a uma paralisia e a uma crise econômica cuja gravidade não era vista há décadas. É imperioso sair delas, como este espaço ponderou ontem, e Dilma precisa admitir as falhas e saná-las. Partir para a brutalidade de um impeachment, porém, como bradam alguns, pode não só surtir efeito algum como também empurrar ainda mais o país para o buraco.

Últimas de _legado_Opinião