Leda Nagle: A hora é agora. Para que adiar?

Orientais acreditam que desapegar também é parte do ritual de melhorar a sua própria vida

Por O Dia

Rio - Vivemos tempos estranhos. Desonestidade em alta. Falta de palavra em alta. Raiva em alta. Um clima estranho e uma torcida geral: que 2015 acabe logo! Ninguém aguenta mais. Xô! Mas será que 2016 será melhor? Neste momento que estamos vivendo de grandes problemas e de grandes bobagens será que venceremos a crise? Teremos coragem suficiente e a disposição necessária? Nestas horas só reclamar não adianta. É preciso buscar a calma e a lucidez de alguma forma para passar pela tempestade. Sei que para muitos de vocês não gostam de ler mas a literatura pode levar a repensar a vida e despertar bons sentimentos ou uma vontade de aproveitar a dificuldade para tentar se reorganizar.

Estou lendo Manual de Limpeza de um Monge Budista, um livro da editora Planeta, que prega que tirar a poeira do chão também tira a sujeira da alma e na vida do dia a dia pode ajudar a encontrar harmonia e serenidade. O livro, sucesso no mundo inteiro, propõe encarar a faxina, a reciclagem do lixo e da água, a arrumação da casa, dos armários, dos banheiros como uma maneira de se aprimorar espiritualmente.

O jovem monge Keisuke Matsumoto lembra que os japoneses não entendem a faxina da casa só como uma atividade braçal, estudantes do ensino fundamental e médio praticam a faxina nas suas escolas ,como parte do currículo escolar, exatamente para aprender a relação entre o limpar a casa e limpar a vida. “Limpar não é tão somente o antônimo de sujar, é uma prática que conduz ao aperfeiçoamento espiritual”, afirma ele. O desapegar também faz parte do processo. Permitir que os objetos e roupas que um dia serviram a você possam exercer suas funções nas mãos de outras pessoas, se você já não precisa mais deles, também é uma maneira de valorizá-los e esta ação pode aliviar o acúmulo das coisas na sua casa e faz parte da “limpeza” material e espiritual.

Eles acreditam que desapegar também é parte do ritual de melhorar a sua própria vida. Porque é que nós ocidentais, tão apegados aos nossos bens e pertences, não podemos tentar estas alternativas milenares que os orientais nos propõem? Outro conselho do Monge é um velho ditado popular que as mães de antigamente diziam aos filhos: “não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”. Você se lembra de já ter ouvido isto? E quantas vezes você andar dizendo para si mesmo: “amanhã eu faço” ? A recomendação do budismo é não adiar.

Se negligenciada, a sujeira do espírito se torna difícil de remover. Tenho outra sugestão nesta mesma linha: o livro A Mágica da arrumação de Marie Kondo (Editora Sextante). Mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo inteiro. Ela também associa a arrumação com a renovação. Porque não experimentar? Afinal daqui a pouco começa outro ano, outro tempo. E já que este tempo de hoje não está tão bom assim, porque não tentar ser e agir de um jeito diferente? Vale conferir..

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