Claudio Magnavita: Brincando com aviação

A ausência de comando forte na aviação e do entendimento de que este setor é vital para um país que não dispõe de outros modais de transporte é mortal

Por O Dia

Rio - A saída do ministro Eliseu Padilha da Aviação demonstra a fragilidade em que vive um setor vital para o país. Entre os projetos que ficam órfãos, estão o da construção do terceiro aeroporto do Rio, na Zona Oeste, com a utilização da estrutura da Base de Santa Cruz e até buscar nova utilização para o Aeroporto de Jacarepaguá.

O ex-ministro mal teve tempo para tocar a pasta. Usou a estrutura da SAC exclusivamente para fazer política. Chegou inclusive a dar meio expediente no Planalto, ajudando Michel Temer na coordenação partidária. Só aparecia em seu ministério para alguns despachos burocráticos.

O setor da aviação comercial está à beira de um colapso financeiro, e a ausência de Padilha só aprofundou a crise. Faltou alguém que defendesse com veemência as empresas aéreas brasileiras, feridas com a brutal desvalorização cambial e a crise que fez os passageiros evaporarem.

A politização da Secretaria de Aviação Civil foi um dos maiores erros do governo. Tirou um ministro técnico, ex-diretor do BNDES (Wagner Oliveira), que estava arrumando a casa, e nomeou Moreira Franco. Por ironia, ele e Padilha são hoje os maiores algozes da presidenta Dilma.

Jacarepaguá e Santa Cruz são dois grãos de areia dentro dos imensos problemas do setor. Os dois últimos ministros só pensavam em política, deixando a aviação a deus-dará. O prejuízo das grandes empresas aéreas nacionais deverá ultrapassar R$ 10 bilhões. Não há musculatura que repare os danos deste tumultuado 2015. Para as empresas se recuperarem do prejuízo, precisarão de uma década no azul.

A ausência de comando forte na aviação e do entendimento de que este setor é vital para um país que não dispõe de outros modais de transporte é mortal. Historicamente perdemos a Varig, Cruzeiro, Transbrasil e Vasp e, agora, assistimos silenciosamente a TAM, Gol, Azul e a Avianca entrarem em céus turbulentos. Não há eficiência administrativa que drible o festival de problemas. Eliseu não deixará saudades, mas as suas omissões no comando da aviação renderão graves sequelas. Politizar novamente a SAC será um grande risco.

Claudio Magnavita é jornalista

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