Por felipe.martins

Rio - Natal é tempo de reflexão sobre a vida em nossa casa comum. Trocamos presentes e afagos, mas o tempo de olhar para a natureza que nos cerca exige a responsabilidade não apenas com os de nossa geração, mas, sobretudo, com a herança que deixaremos. Nas últimas décadas, nossos passos foram acelerados, e alcançamos um nível de conforto e progresso sem o cuidado necessário com as coisas mais simples.


O consumismo que domina as relações humanas tem nos afastado do convívio fraterno com nossos semelhantes, assim como do prazer de desfrutar outros prazeres na natureza, na música, nas artes. A busca da felicidade exige que procuremos limitar algumas futilidades que nos entorpecem em benefício de curtir as inúmeras possibilidades que a vida oferece.


O Tribunal de Justiça do Rio firmou um compromisso com a sustentabilidade na busca do uso racional dos recursos naturais, um melhor gerenciamento dos resíduos e uma campanha de educação e sensibilização ambientais. Esse compromisso do Judiciário fluminense deve vir acompanhando de ações de sustentabilidade concretas que incluam o compromisso de aplicar as leis de proteção do meio ambiente com o olhar preferencial de proteção à natureza. Não pode a Justiça ser conivente com empreitadas governamentais e privadas que visam à busca do lucro imobiliário em detrimento de uma real sustentabilidade.


Por outro lado, com o conjunto de 150 imóveis espalhados em sua área de jurisdição, já era hora de aplicar as regras de sustentabilidade através da utilização da energia solar, do reaproveitamento das águas utilizadas na limpeza, da coleta das águas pluviais, de arquitetura que favoreça a economia de energia e de sistema de gerenciamento dos resíduos que possam produzir outras formas de energia e recursos que podem ser aplicados na educação e sensibilização ambiental.


A palestra do reitor da PUC-Rio, padre Josafá de Siqueira, foi um convite à prática dessa tarefa, que precisa ir além dos umbrais acadêmicos e buscar, enquanto há tempo, um resgate dessa imensa dívida com o meio ambiente, que é um bem coletivo e patrimônio de toda a humanidade, além de responsabilidade de todos.


Siro Darlan é desembargador do TJ e membro da Associação Juízes para a Democracia

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