Por bferreira

Rio - A busca pela realização profissional, a espera por um relacionamento e outras prioridades pessoais fazem parte dos motivos que levam as brasileiras a adiar, cada vez mais, o momento de ter filhos. Estudo do IBGE aponta que, em uma década, o número de mulheres que engravidaram após os 40 anos de idade cresceu 27%.

O tema vem ganhando força em estudos de obstetrícia, além de merecer reflexão por parte de nós, especialistas na área. Mais que a gestação precoce — antes dos 16 anos —, a gravidez após os 40 requer acompanhamento especial, dado o risco de desenvolvimento de doenças crônicas tanto para a mãe quanto para o bebê.

O que acontece é que, talvez por falta de divulgação em massa ou por abordagem limitada do obstetra, muitas vezes a gestante madura resiste e se queixa da atenção diferenciada no pré-natal, dando indícios de que queremos culpá-la pela escolha tardia. Como é comum que reclamem de exageros médicos nas precauções, valem os esclarecimentos: cada mulher é dona do seu corpo e tem o direito de escolher a melhor fase da vida para ser mãe. Cabe a nós, médicos, tomar medidas para que seu momento gestacional seja saudável e inesquecível, como toda mulher merece.

Mas, infelizmente, a partir de certa idade, o organismo já não responde como o esperado. Mesmo assim, o advento da fertilização in vitro tem contribuído para a realização do desejo de gravidez das mulheres maduras.

Na literatura médica, todos os autores são unânimes quanto à atenção redobrada em gestações de mulheres acima dos 40 anos. Ainda que os avanços da área sejam celebrados, há riscos, como hipertensão e diabetes, que, mesmo controláveis, são de duas a três vezes maiores em grávidas acima dos 35 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Pesquisas comprovam a ocorrência de má-formação em bebês gerados por mulheres maiores de 40 anos até 30 vezes mais do que os gerados por mães mais novas.

Como obstetra especialista e professor em uma área com tantas peculiaridades — e que envolve muita sensibilidade aliada à técnica —, proponho reflexão sobre o tema. Se nos empenharmos nas recomendações às gestantes com esse perfil, podemos garantir que o pré-natal delas seja pleno de alegria e realizações.

Jorge Rezende Filho é prof. da UFRJ e dir. da S. Lúcia

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