Fábio Queiróz: O impacto econômico no varejo

Os supermercadistas adotaram a postura de intensificar as já exaustivas negociações com a indústria em busca do melhor preço

Por O Dia

Rio - Já não mais se discute a existência do revés econômico no país. Aqui está ele, firme e forte, e não sabemos sua duração; nem mesmo há consenso entre os economistas. Como todos os setores, o varejo (especialmente o supermercadista) sofre com os efeitos da recessão.

O jargão que “a crise demora para chegar ao varejo” soa como um mantra. Mas não é tão verdade assim. É fato que a despesa com o supermercado é uma das últimas a serem analisadas pelo consumidor no corte de gastos.

Mas a venda dos produtos com valor agregado mais alto, que propiciam margem de lucro maior, experimentou queda brusca. Produtos essenciais, que compõem a Cesta Básica, são controlados pela saudável concorrência imposta pelas regras de mercado — especialmente no Estado do Rio.

Tanto é verdade que, se compararmos o índice que determina o aumento dos preços da Cesta Básica com o percentual inflacionário, percebemos que a inflação acumulada supera em muito a variação positiva dos valores de produtos essenciais. Não tenham dúvidas: a conta é paga pelo varejo.

Mas qual é a solução? O setor aposta em três pilares: intensificação das negociações com os fornecedores; aumento do número de ofertas promocionais e itens cadastrados; e aumento da produtividade com redução de custo.

Em primeiro plano, os supermercadistas adotaram a postura de intensificar as já exaustivas negociações com a indústria em busca do melhor preço. Isso sempre foi feito, mas nos dias de hoje virou uma obsessão.

Embora muito eficaz, tão somente acirrar as negociações com a indústria revelou-se insuficiente. Sabemos que estamos diante de uma inflação proveniente de grande elevação nos custos da atividade empresarial. Dentre outros aumentos, o das tarifas de energia elétrica e a alta do dólar impactaram sobremaneira. 

Outra estratégia foi aumentar as promoções nas gôndolas e encartes. As próprias indústrias têm fomentado a parceria com o varejista. Novos fornecedores são bem-vindos e cadastrados, tudo para proporcionar mais opções aos clientes e garantir a venda.

Aumentar a produtividade e reduzir custos virou palavra de ordem. O setor trabalha para que não haja involução no crescimento. Já será grande vitória alcançar a estabilidade neste momento.

Fábio Queiróz é pres. exec. da Associação de Supermercados do estado

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