Por bferreira
Publicado 19/12/2015 00:01

Rio - É de Carlito Maia esta definição do nosso país que está se transformando rapidinho num imenso Paraguai. Acredite, a frase tem mais de 50 anos e continua inquietantemente atual. Lembra do livro de Stefan Zweig, ‘Brasil, País do Futuro’? É, aquele escritor austríaco que meteu uma bala na cabeça quando morava em Petrópolis. Esquece essa história; ele, o futuro, pelo menos para nós, brasileiros, já era. Então, ficamos combinados: vamos trocar País do Futuro por Fraude Explica. Desnecessário explicar para os antenados leitores o título da crônica. Basta abrir o jornal para entender a frase profética de Carlito Maia. Já estava na hora de alguém se lembrar dele. Entre muitas outras coisas, foi um grande frasista, padrão Rodrigues e Lara Rezende. Conheça algumas, tiradas do seu livro ‘Vale o Escrito’: “Evite acidentes, faça tudo de propósito”; “O problema do menor é o maior”; “Acordem e progresso”; “Faço até o que não gosto; mas o que não quero não faço”; “Homem está em falta. Machão tem a dar com o pau”; “Meta o pau na camisinha. Faça como a galinha: cuide bem do seu pintinho”; “Uma vida não é nada; com coragem, pode ser muito”; “Yesterday’s, que tal esse nome para um bar de bichas históricas?”; “Mineiro não fica doido. Piora”.

Carlitos nasceu em Minas, em 1924, mas nos anos 30 emigrou para São Paulo, onde se aclimatou e virou referência paulistana. Foi um dos caras mais criativos que conheci. Inventou até o Lula, afinal ninguém é perfeito. “Lula-lá,” “oPTei” e “sem medo de ser feliz” são de sua autoria. Num depoimento, fez o resumo da ópera de sua contrastante trajetória: “Moleque de recados, lavador de xícaras. Rebelde, office-boy, contestador, sargento da FAB, boêmio, auxiliar de despachante aduaneiro, bon-vivant, picareta, corretor de seguros, desocupado, tradutor público juramentado.” Comunista de carteirinha, circulava com desenvoltura no meio capitalista a ponto de ser eleito publicitário do ano em 1978. Aliás, detestava ser chamado de publicitário; preferia homem de comunicação. Um dos fundadores do PT, dizia que deixaria o partido assim que este chegasse ao poder. Não foi preciso: morreu em 2002, um ano antes do Lula-lá.

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