Por bferreira

Rio - Lê-se em Tomás de Aquino — frade da Ordem dos Dominicanos italiano cujas obras tiveram enorme influência na teologia e na filosofia—, nos tempos medievais, um tratado que aborda a questão do agradecimento.

Tomás de Aquino o considera observando três níveis de agradecimento: o primeiro, correspondente ao entendimento; o segundo, correspondendo à retribuição e, o terceiro, o mais profundo, que chega ao nível do vínculo.

Quanto ao entendimento, ele está ligado ao aspecto intelectual. Uma pessoa recebe um favor e entende que deve agradecer. É a expressão inglesa “thank you”. Permanece, este primeiro estágio, neste patamar do intelecto.

Em se tratando do segundo nível, a pessoa, ao receber um presente, sente-se envolvida por aquela mercê a ponto de desejar devolver com um outro presente. Estamos no nível da reciprocidade. É o que a língua francesa se expressa com a palavra “merci”, a espanhola, com “gracias”, e a italiana, com “gratie”, por exemplo.

O terceiro nível — e mais profundo — é o que estabelece o vínculo. Somente na língua portuguesa encontramos esta expressão: “obrigado”. Quem recebe uma dádiva sente-se obrigado, vinculado ao doador. Sente-se, portanto, mais que parceiro do doador.

Pois bem, durante alguns anos, a cada 15 dias, escrevi neste jornal uma coluna abordando questões educacionais. Esta é a última, pelo menos nesta etapa, porque as portas não estão fechadas. Cabe a quem escreveu e recebeu este espaço como um presente, externar publicamente, o seu “muito obrigado”, marcando, portanto, o vínculo entre a pessoa do escritor e o veículo, no caso, o jornal O DIA.

Entendo, como dizia um experiente político brasileiro, que parar é coisa que só se deve fazer após a morte, ocasião em teremos muito tempo para descansar. Se o descanso fica para o ‘post mortem’, o agradecimento deve ser apresentado em vida, ao jornal, aos colaboradores e, sobretudo, aos leitores que acompanharam este espaço durante tanto tempo.

N.E: a partir de janeiro, o professor e escritor Eugênio Cunha assume este espaço.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor

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