Por thiago.antunes

Rio - De acordo com dados do Projeto sobre Políticas de Promoção da Igualdade Racial da OIT Brasil, no 1º Congresso Internacional sobre a Mulher, Gênero e Relações de Trabalho, em 2015, as diferenças de remuneração entre homens e mulheres e brancos e negros são acentuadas. O rendimento de mulheres é 79% do que ganham os homens, enquanto negros têm 50% do rendimento dos brancos. A diferença se mostrou maior em relação à mulher negra, que chega a receber 39% do rendimento de homens brancos.

Nem mesmo grau de escolaridade elevado garante melhores salários. Com 15 anos de escolaridade ou mais, mulheres recebem 61% do que homens na mesma condição conquistam. Na análise de gênero e etnia, no auge da hierarquia encontram-se homens brancos, seguidos por negros, brancas e negras.

Com o objetivo de reduzir a discriminação sofrida por transexuais, a Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego fez parceria com a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual para contratar transexuais para fazer estágio em órgãos públicos. Após o estágio, algumas delas poderão ser selecionadas para trabalhar como recepcionistas nos postos municipais de trabalho.

Também há exemplos da quebra do cenário de discriminação. Em julho, uma modelo transexual paulistana foi a primeira a desfilar em festival de moda de renome, o Fashion Weekend Plus Size. Há também a modelo australiana de 18 anos, que tem síndrome de Down e ficou conhecida a partir de maio, quando fez uma campanha para promover a imagem das pessoas com o mal e romper certos preconceitos. Após a campanha, ela foi convidada para outros trabalhos, lançou sua grife de bolsas e destina 5% das vendas à National Down Syndrome Society.

São casos como esses que devem ser tomados como exemplo. Cabe aos responsáveis pelas diretrizes de seleção reavaliar seus critérios e ver até que ponto estão beneficiando a sociedade e a economia ao desempenhar seus papéis. No mercado, profissionais bem qualificados ou com potencial deixam de ter oportunidades por conta de um ideário maculado por visões distorcidas — herança histórica da desigualdade social — que precisam ser desconstruídas.

Augusto Ribeiro é Secretário Municipal de Trabalho e Emprego

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