Por felipe.martins

Rio - Então é Natal! Se você tem o CD da Simone, aproveite! A hora é esta! Depois de suportar todas as filas de supermercado, encarar outras tantas filas das lojas, fazer todas as encomendas e ainda conseguir cumprir sua agenda, você está de parabéns! Seu dinheiro deu pra tudo isto? Então merece parabéns em dobro. Mas nada disso autoriza você a se esquecer que o Natal é a hora de celebrar o nascimento do Menino Jesus. Muita gente não se lembra disto e faz do Natal uma gincana infernal, com esse calor dos trópicos e com todas as listas e tarefas para comemorar a superficialidade da festa.

Conversei muito com o Padre Fábio de Melo. Ele questiona muito tudo isto e me disse que tem até medo do que a gente faz com a data: “Tenho medo destas festas porque elas retiram os nossos excessos e naturalmente nos colocam diante de uma nudez humana que é difícil de ser compreendida e experimentada”. Por isso, diz ele, “nós precisamos de tantas coisas ao nosso redor, criamos tantas necessidades, e aquilo que em nós é ausente fica evidente no meio deste monte de coisa. O excesso mostra o que nós não temos, e é isto que dá medo”. Padre Fábio lembra que a espiritualidade do Natal é linda, que o nascimento de Jesus significa uma vida nova e que a gente não pode se esquecer que “quando Deus nasce, nós também temos a oportunidade de renascer” e, quando o Padre diz isto, ele não fala só de valores cristãos, mas de valores humanos. Padre Fábio também lembra que falta solidariedade, falta respeito, sobra disputa e que é preciso se lembrar que o outro ser humano é irmão, não oponente. Palavras dele que quero dividir: “Temos que seguir o caminho da reeducação de quem já se sente educado, e pela educação de quem pode ser educado de um jeito novo”.

Por isto que o Natal é mais do que um tempo de rabanadas e presentes, é um tempo de renovação da esperança, independente de fé. E me apoio nas palavras de Padre Fábio quando ele afirma que “a possibilidade que uma pessoa tem de mudar o mundo passa pela coragem que cada um tem de mudar seu próprio mundo, trazer pra perto o que está longe, incorporar o que é difícil”. E, se não temos essa vontade fortalecida, não vamos a lugar nenhum. Resumo da ópera: Natal é tempo de esperança, e Padre Fábio me enche de esperança quando afirma: “A fé que eu professo em Deus não pode me apartar das pessoas, e isto serve até para alguns discursos religiosos excludentes. Eu posso ter posicionamentos diferenciados, mas isto não pode prejudicar meu relacionamento com o outro, tenho que ter respeito acima de tudo”. Isto é Natal! Então, Feliz Natal!

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