Por bferreira

Rio - É cada vez maior o número de reclamações de motoristas que alegam estar recebendo multas de novos pardais que não estão devidamente sinalizados. Isso sem contar que muitos ficam em ladeiras, saídas de túneis e até atrás de árvores, dificultando a visualização.

Para se ter uma ideia, ano passado foram arrecadados mais de R$ 2 milhões em infrações de trânsito, aumento significativo em relação a 2014. De acordo com a CET-Rio, 50% delas dizem respeito ao excesso de velocidade, o que trouxe para os cofres públicos cerca de R$ 1 bilhão desde 2009 — já descontada a comissão paga às empresas que administram os equipamentos.

Importante lembrar que uma lei municipal determina que 15% do valor das multas aplicadas deva ser direcionado para educação no trânsito, mas a prefeitura, não se sabe o motivo, não consegue cumprir a lei. E para onde está indo a diferença?

É claro que as normas de trânsito devem ser respeitadas por todos nós, mas o que vem acontecendo é que da noite para o dia equipamentos são instalados sem a devida sinalização, criando ‘pegadinhas’ que poderiam ser evitadas se a relação com os endereços desses equipamentos estivesse disponível na internet.

Outra situação que chama a atenção diz respeito às velocidades determinadas não só nas ruas, como também nas vias de grande movimento, como a Av. das Américas, onde existem locais em que a velocidade é de 80 km/h e do nada cai para 70 km/h, surpreendendo qualquer motorista. Por que não manter uma velocidade contínua, já que nessas vias existe sinalização adequada para os pedestres, com sinais de trânsito e faixas pintadas? Já nas ruas, o problema maior é com a segurança, pois em determinados locais você é obrigado a reduzir para 40km, e isso é um convite para ser assaltado.

Qual a verdadeira intenção com a proliferação desses equipamentos? Educar ou arrecadar? Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, pois vale lembrar que 85% dos recursos apresentados pelos motoristas nas Jaris são indeferidos. Punir o erro praticado, o abuso de velocidade ou o avanço de sinal é uma coisa. Agora, multar indiscriminadamente para gerar receita e criando o famoso ‘caixa-dois’ é completamente inaceitável.

Dionísio Lins (PP) é vice-pres. da Comissão de Transportes da Alerj

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