Por bferreira
Rio - Sempre gostei de ler as previsões típicas de início de ano. Não que eu seja supersticioso, mas gosto de avaliar o nível da lógica presente na suposta previsão. Uma das mais frequentes que tenho lido na área da Economia, por exemplo, é que será um ano difícil e a crise vai piorar. Imagino o grau de esoterismo necessário para se conseguir fazer uma previsão como essa. Nesse mesmo contexto, já li que a água doce potável continuará a ser racionada; que a política será palco de grandes escândalos e que a violência urbana continuará sua escalada. Como podemos perceber, as previsões estão perdendo seu encanto e sua magia. Diante disso, como forma de alerta, resolvi fazer minhas previsões para a Educação brasileira em 2016 da maneira mais específica possível. Vamos a elas.
Em algumas escolas de várias cidades, haverá atos de indisciplina provocados por falta de diálogo entre os alunos, professores e gestão. Esses incidentes, mais uma vez, ocorrerão pela falta de processo participativo de gestão da aprendizagem e da disciplina. Tanto alunos quanto professores e gestores sairão física e psicologicamente machucados desses incidentes. Após os incidentes, haverá comoção da sociedade que fortalecerá o sentimento de que esses jovens não têm jeito e de que a escola deveria ser mais exigente e rigorosa com a disciplina como nos bons tempos.
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O Brasil não conseguirá avançar significativamente nos rankings mundiais de aprendizagem e isso gerará grande polvorosa na mídia, levando as pessoas a desacreditar na possibilidade de melhoria da Educação. A má formação e a falta de compromisso dos professores serão responsabilizadas pelo resultado.
O país não conseguirá colocar todas as suas crianças de zero a 4 anos na escola por falta de creches. As famílias recorrerão à Justiça, e a gestão municipal alegará o corte de verbas por parte do governo federal e, por mais um ano, a obrigatoriedade escolar não passará de pobres letras mortas numa lei sem força.
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Por fim, a Educação continuará em estado grave, sobrevivendo graças a alguns dedicados professores e gestores, médicos e enfermeiros comprometidos que manterão viva a paciente numa UTI sem recursos à espera de previsões mais otimistas.

Júlio Furtado é professor e escritor