Por bferreira

Rio - Na Pátria Educadora, não é preciso ser nenhum especialista para observar que as contas não fecham: sobra interesse das famílias e dos estudantes, mas faltam vagas, responsabilidade e vontade política. Recursos existem, mas são contingenciados e desviados com outros propósitos. Dois exemplos: o acesso a creche e pré-escolas e ao Ensino Superior.

Um dos principais eixos da campanha da presidente Dilma Rousseff, em 2010, ou seja, ainda em seu primeiro mandato, era a construção de seis mil creches e pré-escolas por todo o território nacional. A promessa não foi cumprida. Ficou e continua parada. Em julho do ano passado, ao enxugar o orçamento, o governo federal encerrou de vez com a empreitada: cortou a verba (R$ 3,4 bilhões) destinada ao setor. O Brasil possui hoje um déficit de 2,7 milhões de vagas somente em creches, um direito previsto em lei.

Soma-se a este quadro outra questão. A partir deste ano, passa a ser obrigatória a matrícula de todas as crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. A taxa de atendimento desta faixa etária é de 87,9%. De acordo com os gestores, a obrigatoriedade, prevista também em lei, está comprometida. Não será alcançada. E o que vai acontecer? Nada. A população que durma na porta das instituições para tentar garantir uma vaga para seus filhos.

No Ensino Superior, o cenário não é diferente. Começam nesta segunda-feira as inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Trata-se de um sistema informatizado do Ministério da Educação, por meio do qual instituições públicas de Ensino Superior oferecem vagas aos candidatos participantes do Enem. Faça as contas: cerca de sete milhões de candidatos vão, portanto, disputar 228 mil vagas, quando, de fato e de direito, as universidades públicas poderiam potencializar seus cursos e programas, abrindo mais oportunidades. Por que não fazem? Há um claro desmantelamento do sistema. As últimas greves, por todo o país, ratificam este quadro desolador.

Políticas assistencialistas são necessárias, sem dúvida. Mas o que vale mesmo é a Educação, o investimento contínuo e consequente. Todos sabemos inclusive os políticos que deveriam legislar em nome e a favor do povo, somente isso.

Marcus Tavares é professor e jornalista

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