Por bferreira

Rio - Diante da queda do PIB (que este ano deve chegar a 3%), da inflação em alta e do desemprego — sobretudo entre os jovens —, o PT de Dilma vai levar uma surra nas eleições para prefeito. Há quatro anos, o Partido dos Trabalhadores elegeu 634 alcaides nas cidades com até 60 mil eleitores e com renda média de R$ 1.422, onde o Bolsa Família beneficiava um terço da população.

Recentes pesquisas de opinião sobre a tendência de votos fotografa a desilusão dos jovens com os partidos e a falta de esperança em conseguir uma vaga no mercado de trabalho. A precariedade do emprego e a sub-remuneração criam uma casta social de pobres entre os jovens que não conseguem os meios mínimos de subsistência. As incertezas espelham um tecido social de revoltados fértil para manipulação através de líderes de movimentos populistas defensores de bandeiras ultraconservadoras.

Para os jovens desiludidos contaminados pela corrupção e que sofrem na pele os efeitos perversos da recessão, não importa a bandeira ideológica. O que importa será eleger governos que apresentem horizontes e que possam salvá-los da armadilha de ciclos recessivos, como o ocorrido nos anos 80 no Brasil na época de Delfim Neto.

Os próximos três anos do governo Dilma serão de ajustes econômicos conservadores para corrigir seus erros de política econômica. Os recentes cortes nos programas sociais em defesas da estabilidade da economia afastaram os jovens dos partidos políticos e das manifestações de rua para as redes sociais. A popularidade em queda livre, com riscos de sofrer impeachment, obrigou Dilma a fazer acordos espúrios com a base aliada para salvar seu mandato, esquecendo os jovens.

Os movimentos sociais em defesa do mandato da presidente contra o impeachment fracassaram no ano passado. Este ano, o impeachment perde força em decorrência do pacto do governo com a base aliada, envolvidos em corrupção e com os segmentos empresariais que clamam pelo ajuste fiscal. Esquecem eles que os jovens estão adormecidos nas redes sociais, desiludidos, avessos a partidos e esperando uma política de emprego de curto prazo.

Wilson Diniz é economista e analista político

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