Por bferreira
Rio - Não sei vocês mas para mim este calor já deu. Chega! Não dá pra ser feliz assim! Nem na hidroterapia da Patricia, lá na Stela Torreão, consigo me esquecer deste calor esquisito, que mudou de padrão... Agora é , além de quente, abafado e asfixiante. Já nem consigo entender mais como eu gostava tanto do verão. Aquela imagem de sair andando sem destino, de férias, tomando sorvete, sentindo a brisa já era.
Ontem, saindo da hidro decidi ir a Ipanema procurar um sapato branco, para desfilar na Mangueira. Suando em bicas como todo mundo, passei maus momentos. Como me dedico muito pouco às compras presenciais, raramente enfrento o comércio dos shoppings e mais raramente ainda as lojas de rua, me vi diante de um sem número de lojas fechadas, outro tanto de vendedoras parvas, exaustas, enfrentando lojas com ar-condicionado duvidoso (eles ficam meia bomba neste calor infernal) e quase ninguém em loja nenhuma.
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Me fascina quem, num calor destes, consegue enfrentar o trocador com algumas peças de roupa para experimentar, debaixo de lâmpadas dicroicas. Credo! Do jeito que a temperatura está e diante da tal da sensação térmica, até eles, decoradores e arquitetos, terão que repensar suas escolhas. Andar pelas ruas também é muito puxado. Pior quem tem e precisa circular nos ônibus lotados, quase sempre sem ar-condicionado. Existia a esperança de toda a frota de ônibus da cidade circular com refrigeração, mas a prefeitura adiou essa realização que é sonho de consumo de todos os usuários. Quanto a mim, me senti uma mulher feliz ao me jogar dentro de um táxi amarelinho, que estava com ar funcionando a mil e fiquei mais alegre ainda quando cheguei ao meu bunker.
Voltei ao projeto desapego que a Marie Kondo propõe no seu livro, ‘A Mágica da Arrumação’. De ler eu gosto, de desapegar nem tanto mas é melhor desapegar do que andar na rua. Sou mais chegada a guardar, a estocar, a ter dificuldade de lançar fora coisas. ” Descarte tudo que não lhe dá alegria” propõe a autora de mais de dois milhões de livros vendidos.
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E há muito o que tirar. Livros, papéis, objetos, sacolas, potes e por aí vai. No quesito roupas, e toda mulher sabe do que estou falando, a gente guarda achando que a moda um dia vai voltar, mas quando ela volta está de outro jeito, e o que se guardou não serve pra nada. Marie diz que a dificuldade do descarte demonstra apego ao passado ou ansiedade com o futuro. Ou os dois. Faz sentido. E descartar é mais do organizar a casa. É se organizar também por dentro, porque selecionar é tomar decisões, é escolher, é encontrar consigo mesma. E promover este encontro possibilita ter uma casa mais organizada e dá um drible no calor lá de fora mas como nada é perfeito tem um perigo: a conta de luz. Mas, por favor, não me falem deste assunto.