Por felipe.martins

Rio - A ascensão das minorias na década de 1960, quando jovens estudantes protestaram contra a supervalorização pela sociedade da família classe média branca, católica, heterossexual, única digna de respeitabilidade, marca para alguns historiadores o inicio do período Pós-Moderno, quando negros, gays, mulheres, índios, cadeirantes, etc. afirmaram para os Estados estabelecidos: nós devemos ser respeitados, pagamos impostos, somos donos de nossos corpos e de nossas formas de viver.

Se contribuímos economicamente, queremos leis que nos deem direitos. Já não mais era possível governar só para uma fatia, o povo em toda a sua diversidade reclamou para cada grupo sua agenda de necessidades. Este é o mundo do estilhaço, quando uma só voz já não dá mais conta de tudo, da grandeza das diferenças. Temos que ouvir várias vozes.

Muito bem, os anos se passaram e estas vozes, para o bem e para o mal, são ouvidas em todos os aspectos da vida social. E na Escola de Samba não seria diferente: as tradições, os fundamentos do desfile, dos eventos nas quadras e talvez mais que isto, a própria visão de mundo do preceito Samba (que é mais que um ritmo, trata-se de gigantesca rede de relações simbólicas que se darão em volta da panela de feijoada, das cantorias, dos desafios, das rezas) está sendo posto em xeque, pois começou a desaparecer a figura do malandro, persona masculina importantíssima para a construção da linguagem narrativa dos desfiles. Ele está no dia a dia, mas sua exibição no espetáculo estava cada vez menor. Onde eles estavam antigamente? Nas baterias (continuam, mas mulheres conseguiram entrar) e nas alas de passistas e sobretudo, representados individualmente na figura do mestre sala, cujo Livro do Julgador, atualmente diz que a ele caberá proteger e cortejar a dama. Papel de ator, pois independente do que ele faça na cama, terá que convencer como a energia masculina de amor à femea que carrega o pavilhão com delicadeza e graça.

Não confundam com homofobia: os gays (eu incluído), invadiram os desfiles com trejeitos e força artística desmunhecada. Nas alas de passistas, temos agora três vertentes: cabrochas e gays (ambos jogam cabelo e batem cabeça, uma disputa) e mais acanhados temos os rapazes de paletó tentando resgatar o miudinho. Estão ressurgindo das cinzas. E quanto ao casal, o grande questionamento é quando o mestre sala é mais delicado que a porta bandeira, dá mais pinta, é mais “fêmea”. Jogo de papéis, eles encarnam machos e femeas tradicionais.

Ele pode ser no máximo, metrossexual, mas tem que convencer que a estrela é ela. Se pedir o batom emprestado, f*@eu! É pós-modernos termos os passistas gays, mas devemos não deixar desaparecer os malandros sedutores das garotas. E quanto ao galã, o pegador, o que acha a dama uma princesa, este terá que ser igual a muitos atores por aí: convencem o ibope de que amam a mocinha, e por trás das câmeras pegam os meninos colegas de trabalho..


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