Wilson Diniz: Recessão da economia e o Bolsa Família

Corte nos programas sociais é um dos fracassos da economia de Dilma

Por O Dia

Rio - O filme ‘Esta Terra é Minha Terra’ mostra a depressão nos EUA nos anos 40. Pampa, no Texas, repleta de desempregados vindos das refinarias de petróleo, ainda era atingida pela seca e pelas tempestades de areia. Muitos migraram para a Califórnia em busca de condições de vida, na esperança de conseguir trabalho na agricultura. O personagem principal, ao chegar à Califórnia, acha a fome. Quem conseguia um emprego aceitava um salário com o qual mal dava para viver.

Aquele quadro ajuda a retratar a atual crise da economia mundial e dos efeitos da queda do preço do barril do petróleo, que despencou de 110 para 30 dólares. Isso no momento em que o Brasil passa por paralisia da atividade econômica, com desemprego e inflação em alta, que punem as classes mais baixas.

Diante da perspectiva de que não haverá crescimento nos próximos quatro anos, os programas humanitários e de cunho social para amparar os desempregados e aqueles que estão na linha de pobreza deveriam ser ampliados, como o Bolsa Família. O programa idealizado pelo senador Cristovam Buarque e remodelado pelo ex-presidente Lula é reconhecido internacionalmente como a mais bem-sucedida política compensatória de renda e de resgate social.

Com as mudanças de rumo da política econômica de Dilma Rousseff, que se direciona para fazer severo ajuste fiscal de cunho neoliberal — abandonando as bandeiras do PT —, o corte nos programas sociais é um dos fracassos da economia de Dilma.

O Bolsa Família, em 2015, distribuiu R$ 27 bilhões; em 2016, está previsto que pouco avançará com os R$ 28 bilhões para contemplar as famílias. Comparando o reajuste do benefício básico (R$ 77 em 2016) desde outubro de 2003, os valores cresceram 54%, enquanto a inflação subiu 101%. Estudos comprovam que o valor do programa representa menos de 0,5% da Taxa Selic, que remunera os títulos do governo e engorda os lucros dos bancos. Só com intervenção no câmbio, o Banco Central perdeu R$ 15 bilhões em 2016.

Com a recessão da economia, o Bolsa Família tem dimensão humanitária quando analisamos municípios do Nordeste — os grotões — onde 90% da população depende da transferência de renda para viver.

Wilson Diniz é economista e analista político


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