Armando Vergílio: Seguro de auto popular é bom para todo mundo

Em tempos de crise e queda de vendas de veículos zero, buscar novas possibilidades é questão de sobrevivência e geração de renda e empregos

Por O Dia

Rio - Todo proprietário de veículo com mais de cinco anos de fabricação sonha com o seguro de auto popular. E foi com muita expectativa que a Fenacor e os motoristas receberam a notícia de que a Superintendência de Seguros Privados (Susep) abriu consulta pública sobre o assunto. A ideia é utilizar peças usadas no conserto de carros segurados nesta nova opção de apólice.

Os seguros de automóveis correspondem a 50% do faturamento do setor. E este novo produto atingiria mais de 50 milhões de automóveis no Brasil — quatro milhões apenas no Rio — que hoje trafegam pelas ruas e estradas desprotegidos, colocando em risco seus proprietários e terceiros. Haveria um efeito em cadeia com queda dos preços: quanto mais gente fazendo seguros, mais baratas tendem as apólices, que podem ter redução de até 30%.

São muitas as vantagens, que vão além do fator econômico. Uma delas é o incentivo à Lei do Desmonte, que propõe a regulamentação do desmanche de peças ilegais, os ferros-velhos, fiscalizando comércio que segue livre, alimentando roubos justamente para quem tem um veículo mais antigo, sem seguro, e que tem necessidade de peças de reposição.

No Brasil, a lei está em vigor desde maio, mas apenas São Paulo cumpre. Por lá, os índices já despencaram 30%. Nos outros locais, os crimes continuam. E nunca é demais citar o exemplo da Argentina, com decréscimo de 50% nos roubos após a implementação de lei similar.

Milhares de acidentes acontecem pelo uso de peças inadequadas em veículos que foram restaurados de forma ilegal. Com a Lei do Desmonte e a autorização do seguro popular, a venda de peças usadas será controlada, incluindo selo de garantia do Inmetro. Além disso, apenas oficinas legalizadas pelos Detrans poderão comercializá-las. E o meio ambiente agradece o reaproveitamento, que deixam de parar em lixões.

Em tempos de crise e queda de vendas de veículos zero, buscar novas possibilidades é questão de sobrevivência e geração de renda e empregos. São novas apólices, mas também oficinas de desmontagem inscritas na Secretaria de Fazenda. Além da geração de impostos, ao tornarem-se legais os desmontes terão de contratar funcionários com todos os direitos. O Governo e a sociedade só têm a ganhar. Vamos torcer para que esta seja uma boa notícia.

Armando Vergílio é presidente da Fenacor

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