Marcus Tavares: Feira de troca de material escolar: boa ideia

Trocar, todo ano, os cadernos, canetas, estojos, mochilas e tudo mais é um grande desperdício

Por O Dia

Rio - Para cumprir os 200 dias letivos e com vistas à Olimpíada, o ano letivo no Rio vai começar em algumas semanas. Isto significa que as férias estão acabando e que é hora de preparar a mochila e o material. Mas vamos combinar algo diferente este ano? Em meio à crise que assola o país e pensando, é claro, num mundo mais sustentável, solidário e menos consumista, que tal as escolas, os pais e as crianças organizarem o material escolar de uma forma diferente? Afinal, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (Abfiae), os preços dos artigos escolares estão 35% mais caros em relação a janeiro do ano passado. 

Para começar, as instituições de ensino, de acordo com o Procon, têm a obrigação de fornecer a lista de material aos estudantes para que os pais possam pesquisar preços e escolher fornecedores de sua preferência. Nenhum estabelecimento pode exigir marcas específicas nem obrigar o estudante a adquirir material em determinado estabelecimento comercial, quando o produto é oferecido pelo mercado. Fora isso, seria bem legal que as escolas passassem um pente-fino nas listas. Será que aquela relação de itens precisa mesmo ser adquirida por cada uma das crianças? Não há nada na própria escola que pode ser reaproveitado? Bem, não custa nada dar uma olhada.

Reutilizar: também é a dica para os pais e estudantes. No Brasil, diferentemente de outros países, a prática é de tudo novo a cada ano — da mochila a borracha. Seria tão bom mudarmos esta cultura. E isso só vai mudando se houver boa conversa na casa de cada um dos estudantes. É difícil, eu sei. Mas trocar, todo ano, os cadernos, canetas, estojos, mochilas e tudo mais é um grande desperdício. Isso sem falar no vestuário. No mínimo, todo esse material poderia ser doado para outras crianças. Essa conscientização também é um aprendizado que deveria ser, inclusive, trabalhado dentro das instituições de ensino.

Uma proposta: antes do começo do ano letivo, as escolas poderiam promover um evento, um chá escolar, uma espécie de feira de troca de material. Pais e crianças levariam materiais e livros (por que não?) já utilizados que pudessem ser reaproveitados por outros estudantes. Seria uma forma responsável, bacana e diferente de começar 2016.

Marcus Tavares é professor e jornalista


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