Por paulo.gomes

Rio - O câncer de pele é de longe o mais frequente no Brasil, superando o de próstata nos homens e o de mama nas mulheres. São mais de 200 mil novos casos por ano que acarretam mais de duas mil mortes a cada 12 meses, além de incontáveis casos de mutilações e deformidades. Sabe-se que mais de 95% destes casos têm causa específica: a exposição exagerada ao sol. Em um país com metade da população com pele clara e índices de ultravioleta elevados, este desfecho é esperado.

O lado positivo é que podemos começar a reverter drasticamente esse quadro educando a população sobre fotoproteção, como foi na Austrália. Lá, intenso programa iniciado na década de 1980 chamado ‘SunSmart’ foi capaz de modificar para melhor a curva ascendente da doença. Estima-se que para cada dólar australiano investido na prevenção houve economia de 2,5 dólares nos sistemas de saúde, sem levarmos em conta o valor inestimável de cada vida salva.

O programa tem base em duas ações: a orientação da população acompanhada da divulgação do índice ultravioleta e a disponibilização de proteção nas vias públicas, especialmente nos abrigos de ônibus. Por aqui, é fundamental uma campanha educativa com foco nas escolas, desde as primeiras séries, e junto à população com maior risco de desenvolver câncer de pele.

Inspirada pelo bem-sucedido exemplo australiano, a Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio elaborou a Política de Sombras para conseguir reduzir o câncer de pele no Brasil. E se proteger é simples e barato, e começa com mudança de comportamento. Não se expor ao sol, usar chapéu, boné e óculos contra os raios vêm antes do filtro solar, terceiro fator de fotoproteção. A oferta de sombras nas vias públicas é incumbência do poder público que temos que cobrar.

Uma proteção mais inteligente pode ser feita informando sobre a incidência do índice ultravioleta, que estamos trabalhando para que seja amplamente divulgado, especialmente na mídia e nos relógios digitais da cidade. A Sociedade disponibiliza de graça o aplicativo ‘Proteção UV’, que lê o índice ultravioleta do dia e já oferece as medidas de fotoproteção para cada tipo de pele. Vamos obter uma menor incidência de uma doença fácil de combater se cada um fizer sua parte.

Flávio Luz é presidente da Soc. Bras. de Dermatologia do Rio

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