Por paulo.gomes

Rio - Em novembro de 2013, escrevi neste espaço o artigo ‘Profecias’, mostrando os políticos que procuravam videntes, babalorixás e astrólogos para projetar seus planos de governo. O mais famoso foi Nostradamus, com sua capacidade de prever o futuro ao decifrar o destino dos filhos de Catarina de Médicis.

No Brasil, Eike Batista, teleguiado pelo horóscopo, quebrou seu grupo empresarial na exploração de poços de petróleo. Nos estados, secretários de Desenvolvimento e de Fazenda quebraram as finanças porque não conseguiram se antecipar às previsões das tendências geopolíticas e da recessão, com a queda do preço do barril do petróleo. Formularam políticas de incentivos fiscais baseado na Teoria da Curva de Laffer.

Laffer, um monetarista, ficou famoso ao desenhar num guardanapo um axioma segundo o qual reduzir a alíquota de impostos depois de certo teto faz a receita tributária aumentar. Os seguidores deste pensamento defendem a economia pelo lado da oferta, ou Suplly-Side, notadamente da escola da Reagan’s Economic Policy, que tem como tese a redução dos impostos e participação do estado mínimo como base de formulação de políticas neoliberais conservadoras.

Dilma, com seus fracassos na previsão de políticas e de cenários macroeconômicos, provocou recessão, com 10 milhões de desempregados, inflação que supera dois dígitos e desoneração fiscal que aumentou o lucro das empresas sem impacto na redução dos preços. No lado da política monetária, aumentou os juros para 14,25% e fez do BNDES um pronto-socorro de empréstimos subsidiados para empresários com taxa de juros negativa.

Os governos dos municípios que dependem da matriz do petróleo não conseguiram prever que o barril cairia de 116 para 32 dólares. Mesmo assim continuaram concedendo isenções ficais com redução de ICMS e alíquotas abaixo de 5%. Exemplo é Campos, administrada há 30 anos pelo clã dos Garotinhos, que faliu o município.

O Estado do Rio, não bastasse estar sofrendo com o petróleo, caiu na armadilha da Curva de Laffer e dos princípios da Reganeconomics. Erraram na dose dos incentivos fiscais. Os formuladores de políticas de governos dos estados consultaram os pais de santo errados.

Wilson Diniz é economista e analista político

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