Editorial: Falta punição na tragédia da Boate Kiss

O caso reúne mazelas comuns no Brasil: falta de proatividade, desleixo com a segurança, conduta irresponsável e omissão

Por O Dia

Rio - Famílias dos 242 jovens brutalmente mortos no incêndio da Boate Kiss, que ontem completou três anos, vão recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para que agentes públicos sejam punidos pela tragédia. Até agora, apenas três bombeiros foram condenados, apesar de a Polícia Civil ter indiciado 35 pessoas por improbidade administrativa. E não há desfecho no processo que corre no TJ gaúcho, onde quatro réus — dois donos da casa e dois músicos — já foram ouvidos.

Em um país tristemente acostumado a ver falcatruas e desastres terminarem impunes — ou ‘em pizza’ —, a mobilização dos parentes das vítimas é algo positivo e sobretudo necessário. Serve de pressão para que a Justiça e entidades internacionais não percam de vista o horror que foi aquele 26 de janeiro.

Afinal, o caso reúne mazelas comuns no Brasil: falta de proatividade, desleixo com a segurança — tanto na parte burocrática, quanto na operacional —, conduta irresponsável e omissão. Não pode ficar impune.

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