Fernando Scarpa: Baile de máscaras antes e depois do Carnaval

A vida é um Carnaval e lá se vão os Lulas, Dilmas e Cerverós sambando e bebendo cerveja junto ao agente da Federal que os prendeu

Por O Dia

Rio - Estamos em em período de Pré-Carnaval, o tema é inevitável. A cidade compete, provoca, tudo gira em torno da festa. No Brasil, as grandes crises, os processos, as investigações acabam em pizza e, dependendo da época, em Carnaval mesmo. Lá vamos nós para mais um.

Charges, colunas de análise econômica e política seguem suas pautas baseadas nos acontecimentos, fazendo críticas. O mercado de acessórios e alegorias não fica atrás. Todos sobrevivem mais abastecidos pelos meliantes do que pelos heróis. Os políticos, o Judiciário e a Polícia Federal são fortes fornecedores de rostos que, embora atrás das grades, vão também desfilar pelas ruas suas fisionomias grudadas no rosto dos foliões. Calma, leitor, eles não receberam indulto de Carnaval, nem vão ser musos de nenhum bloco.

Não é só rosto de político corrupto que vende máscara no Carnaval. O agente da PF com fisionomia oriental é um exemplo. Ele se destacou, com os óculos Ray Ban, sempre conduzindo um corrupto à prisão. Já virou ‘folião’. Diferentemente da vida real, no meio da rua, vai brincar, sambar e beber misturado aos que prendeu.

Todo ano, a indústria de máscaras, atenta à política, acaba contando a história do Brasil através dos carnavais. Nesse agenciamento entre Carnaval, desejo de se fantasiar e necessidade de faturar, a turma que mais se destacou ao longo do ano, tanto nos bons quanto nos maus agenciamentos na vida, acaba imortalizada. Depois da Quarta-Feira de Cinzas, ainda descobrimos qual rosto foi o campeão de vendas. A do japonês é forte concorrente.

No Carnaval, as máscaras funcionam como um tipo de indulto. Elas infestam a cidade com esses personagens grotescos, que estão atrás das grades. Nas ruas, são apenas máscaras, nada muito diferente da vida real. Afinal, no dia a dia, eles também se fantasiam de bonzinhos, não se lembram de nada, são inocentes mascarados tanto quanto as falsas de plástico.

A vida é um Carnaval e lá se vão os Lulas, Dilmas e Cerverós sambando e bebendo cerveja junto ao agente da Federal que os prendeu, ao som dos tamborins nesse Carnaval louco, em que o carioca sofre e ri da mixórdia reinante. Já foram quatro dias de folia e brincadeira, que se acabam nas cinzas da quarta-feira, quando caem as máscaras e vêm outras, com a fisionomia preocupada diante de mais um ano duro.

Fernando Scarpa é psicanalista

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