Milton Cunha: Tensão pré-carnaval

No ano em que o Samba faz 100 anos, emocionante ver gente antiga daqueles lados da Deixa Falar

Por O Dia

Rio - A Estácio de Sá abre o Domingo de Carnaval, reencontro do povo do São Carlos com a pista de desfiles na noite das 12 grandes. No ano em que o Samba faz 100 anos, nada mais emocionante que ver gente antiga daqueles lados da Deixa Falar. Muita disposição para defender o pavilhão. Vai ser babado. Depois o samba belíssimo e bem cantado pelo Morro dos Macacos: Pai Arraia. Os protótipos dos figurinos são belos, resta ver a reprodução aos milhares na Avenida. Carros bonitos, com simplicidade.

Surgirá na Avenida uma Mangueira possuída pelos trovões de Oyá. Louco para ver Squel, a bela porta-bandeira. Parece que vem surpresa por aí! Já a Ilha faz enredo bem-humorado sobre o Rio Olímpico. Aguardo com ansiedade o segundo setor do desfile, um tapete dourado com 500 brincantes homenageando o sol, tudo terminando num incrível sol iluminado pelo mago Alan, rei dos LEDs.

São Clemente traz o melhor enredo do ano, “as pessoas que fazem rir”, os palhaços. Mas tudo começou com o diabo medieval, expulso das igrejas. Vou saborear o grande espetáculo da inteligente Rosa Magalhães, Deusa Sapucaiana! O que vem no rastro é o gigantismo da Mocidade, com impressionantes alegorias. Está um corre-corre para encerrar os trabalhos. Se colocarem o projeto na íntegra, vai ser um Deus nos acuda. Enredo é ousado!

Aí a Avenida se transforma em universo caipira, e todo o lirismo da Pirenópolis natal de Zezé di Camargo e Luciano invade a pista. Do meio pro fim do desfile, a trajetória vitoriosa dos dois astros pelo mundo da música pop. O irmão que morreu surge no anjo caipira na última alegoria, e quero aplaudir a belíssima Cris Vianna. Já a Tijuca vem com um sambão de Dudu Nobre, e a comunidade, superbem ensaiada, tem dado show por aí. Uma agremiação competente, é o que se pode dizer. Sempre explode em animação ao passar pelo quilômetro iluminado.

Para os aplausos de vocês, Portela e Paulo Barros. Adorei o que ele me contou que vai fazer com a Águia, respeitosa mas voando de forma inovadora. Mais uma vez ele traz um desfile cheio de referências internacionais, característica de sua obra sambística. Uma Portela tipo Lula: nunca antes na história deste país... Aguardo Surica, que dizem vem de Mulher Maravilha, adoooroooo! Começa o desfile da Grande Rio, e a comissão de frente é superesperada, pois nas mãos de Priscila e Rodrigo. A poderosa de Caxias traz a cidade de Santos, e o barracão está poderoso!

Salgueiro traz os malandros. Quero ver a bateria, travestida de Geni, a travesti malandra. A presidente Regina é uma estrela do Carnaval. E o que dizer de Beija-Flor? O Clóvis Bornay da Sapucaí, já entrando como hors-concours. Arrasa quarteirão!


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