Wilson Diniz: ‘No longo prazo, todos estaremos mortos’

Dilma deveria adotar uma agenda desenvolvimentista, mas está inclinada a seguir a cartilha do que tem de mais ortodoxo na política monetária

Por O Dia

Rio - A presidente Dilma deveria reler os manuais da economia dos anos 30, quando da grande depressão. Para os economistas, depressão se caracteriza pelo longo período de queda da atividade produtiva, com desemprego em alta, inflação ou deflação, volatilidade no câmbio, elevado número de falências, crise de confiança, êxodo com pessoas vindo do campo à procura de emprego na cidade e aumento dos índices de violência.

Keynes, economista britânico com verve de jornalista, revolucionou a teoria econômica. Era um especulador rico na bolsa de commodities que fazia grandes empréstimos para aplicações quando os preços dos ativos estavam em alta. Com a depressão e os preços das mercadorias em baixa, ele foi uma das vítimas obrigadas a vender ações, quase quebrando.

Diante da crise, Keynes revolucionou a teoria da economia: propôs intervenção do Estado, taxa de juros baixa, expansão do crédito e imposto mais baixo, mesmo que gerasse aumento do déficit. Na época, com a economia em pânico e desemprego batendo 16% nos EUA e na Inglaterra, o Banco Central baixou a taxa de juros de 6% para 2% no primeiro semestre de 32 para expandir investimentos e a economia voltar a crescer.

A Teoria Keynesiana voltou a ser aplicada como política de governo quando Clinton foi eleito com o slogan “Ainda é a economia, estúpido”. Clinton chegou com recessão e saiu consagrado por ter criado mais de 20 milhões de empregos. Obama seguiu o postulado: foi eleito com o slogan “Sim, nós podemos”. Ao terminar o mandato, será festejado por ter aumentado não só o nível de emprego, mas também de negociações nas relações multilaterais com nações — e num ambiente de complexidade geopolítica, recessão mundial e baque dos preços do barril de petróleo.

Dilma deveria adotar uma agenda desenvolvimentista, mas está inclinada a seguir a cartilha do que tem de mais ortodoxo na política monetária: aumentar a taxa de juros sem colocar medidas de cunho social e de resgate do emprego. Hoje, 10 milhões de brasileiros estão desempregados, e 57 milhões têm alguma restrição de crédito.

Dilma caminha para ser a mandatária que aumentou a dívida pública e gerou desemprego e queda do PIB. É bom ela lembrar a frase de Keynes: “No longo prazo, todos estaremos mortos”.

Wilson Diniz é economista e analista político

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