Por felipe.martins, felipe.martins
Rio - ‘Aqui jaz um compositor que não gostava de jazz.’ Dizem que o epitáfio musical é mais uma criação de Lamartine Babo, sempre reverenciado quando o Carnaval dá as caras. Pode ser e pode não ser. Certo é que não foi parar na sepultura de número 13614 (bela borboleta!) do Cemitério do Caju, onde o compositor que dizia não gostar de jazz mas adorava música norte-americana (fez inúmeras versões) foi enterrado em 1963 (caixão coberto pela bandeira do América, seu clube do coração).Lamartine de Azeredo Babo nasceu no dia 10 de janeiro de 1904, no bairro da Tijuca, precisamente na Rua Teófilo Otoni — à época, Rua das Violas, segundo conta o historiador Suetônio Soares Valença, na obra definitiva ‘Tra-la-lá’, lançada nos anos 80 e referência obrigatória.
Lalá compôs algo em torno de 400 músicas, entre marchinhas carnavalescas, canções românticas, de inspiração junina, esportivas (criou hinos antológicos para todos os grandes clubes do Rio), por encomendas para o teatro de revistas e até peças litúrgicas.Folião de primeira hora, homem de muitos amigos e compositor de pena solta, possuidor de imensa facilidade para criar, Lamartine teve sempre grandes parceiros. Basta citar Noel Rosa, Braguinha, Alcir Pires Vermelho, Assis Valente, Nássara, Ari Barroso e Roberto Martins entre eles.
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Também contou com intérpretes de gabarito (quando não era ele mesmo a cantar suas canções), como Carmen Miranda, Mário Reis, Francisco Alves, Carmélia Alves, Aracy de Almeida, Orlando Silva, Almirante, Elizeth Cardoso, Jorge Goulart e nem precisa citar outros.O Carnaval que tanto amou prolongou sua vida e obra, com as inúmeras homenagens que sempre recebeu. Talvez a mais bonita tenha sido a da Imperatriz Leopoldinense, em 1981, quando desfilou com o enredo ‘O teu cabelo não nega’ (de Arlindo Rodrigues), que ficou mais conhecido como “Só dá Lalá” (por conta do refrão “Nesse palco iluminado / Só dá Lalá”). A escola foi campeã, e só deu ele.lllNão tanto quanto Lamartine, mas também amante do Carnaval, a partir de hoje só quero saber da cuíca. Quarta-Feira de Cinzas eu volto à britadeira, para não perder o ritmo.O Carnaval que tanto amou prolongou sua vida e obra, com as homenagens que sempre recebeu