Por bferreira
Rio - Em toda a história dos Jogos Olímpicos de Verão da Era Moderna, apenas três das 30 edições tiveram de ser canceladas: a de 1916, em Berlim; a de 1940, em Helsinque, e a de 1944, em Londres — todas atropeladas por traumáticas guerras mundiais que contabilizaram milhões de mortos. Mas, a julgar por artigo publicado na ‘Forbes’, a epidemia de zika, “séria ameaça à humanidade”, é, sim, motivo para suspender a Olimpíada do Rio.
Há muito não se lia texto tão irresponsável, alarmista e preconceituoso. Na peça escrita por Arthur Caplan e Lee Igel, tem-se a impressão de que o Rio é um lugar infestado por uma doença altamente letal e incapacitante, como se o ar fosse irrespirável. Há dúvidas se a celeuma fosse a mesma caso outra cidade hospedasse os Jogos.
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Em que pesem as descobertas sobre a zika — como as novas formas de transmissão —, as relações com a paralisia da Guillain-Barré e o inevitável medo da microcefalia, é preciso, antes de tudo, ter prudência e clareza. Algo em falta no artigo da ‘Forbes’.