Por felipe.martins, felipe.martins
Rio - Sábado de Carnaval. Mais uma vez, a data reforça o quanto a festa merece ser objeto de estudo nas salas de aula. Além de ser uma comemoração que envolve o sagrado e o profano, o Carnaval, no século 21, também deve ser visto como uma grande indústria criativa, com enorme potencial a ser explorado. Cultura, tradição, mercado e economia: razões não faltam para a escola olhar com mais interesse — e em alguns casos com menos preconceito — para a folia.
Os desfiles das escolas de samba, por exemplo, são resultado de um trabalho anual e ininterrupto, produzido por diferentes profissionais que seguem uma linha de produção bastante organizada e que vem, ao longo dos anos, se profissionalizando. Trata-se de uma escola dentro de cada uma das escolas de samba que capacita e forma artistas-profissionais em diversos setores. Dos carnavalescos aos aderecistas. Dos escultores aos costureiros e artesãos. Sem esquecer, é claro, dos ferreiros, carpinteiros e eletricistas. Quem tem a chance de visitar a Cidade do Samba tem uma clara visão do que estou falando.
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A escolha do tema, do enredo, é o pontapé inicial do trabalho, que envolve uma série de pesquisas para embasar a construção de todo o desfile. Cada fantasia tem um porquê, uma simbologia criada pelo carnavalesco. Ele e sua equipe de artistas-profissionais são os responsáveis por transformar visualmente toda a concepção e os conceitos do enredo, e posteriormente do samba de enredo, na Avenida. Carnaval não é só samba no pé. É estudo, pensamento, crítica, reflexão. É cultura.
A festa que encanta também movimenta a economia. Neste ano, o Rio deve receber cerca de 1 milhão de turistas, injetando aproximadamente R$ 3 bilhões nos cofres da cidade. Em torno dos desfiles, o Rio ainda conta com 505 blocos que devem arrastar cinco milhões de foliões. Amanhã, 11 navios devem atracar na capital. A taxa de ocupação dos hotéis é de 85%. Analisar e entender o que representam estes números, o impacto desta ‘invasão’, o que atrai tantas pessoas para a festa e a relação que a sociedade estabelece, nos dias de hoje, com os quatro dias de folia, também são um bom exercício para a sala de aula. 
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Marcus Tavares é professor e jornalista