Por adriano.araujo, adriano.araujo
Rio - Pois não é que nevou na Sapucaí? Foi mágica, como Wilker em ‘Bye Bye Brasil’, fazendo os flocos caírem no sertão nordestino. Para mim, que adoro a cena e o ator, foi lirismo a passagem da Caravana Rolidei pela Avenida do Carnaval. Era a Império da Tijuca, simpática e engraçada. E continuando na mágica da escola de samba, tinha a Tuiuti, mesmo com os carros apagados, falando das crendices e das coisas que metem medo lá pelos lados áridos do Nordeste. Um padre e um boi, com gigantes porcos do mato, e caiporas flamejantes, curupiras. Tudo lindo.
Fogos explodiram com força no início da Padre Miguel, e alguns comentaram a força do dinheiro da Vila Vintém. Mal sabiam eles que quando a escola chegasse do outro lado, na Apoteose, mais foguetes explodiriam, iluminando os céus com vermelhos, azuis, verdes, tipo Réveillon. Eu não me lembro de nada parecido, nem no Especial. E vinha ali do Catumbi a homenagem. Sempre olho o negrume do céu pro lado da Providência, pois desta vez foi para o lado oposto, e como a escola estava na Avenida, foi um chuveiro flutuante sobre o que já estava colorido no chão. Tá, meu amor?
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Destaque também para os elementos cenográficos enormes, carregados por muitos brincantes, na Cubango. É um charme a mais, para não ficar só nas alegorias com rodas: teve na comissão de frente, e muitos no meio do desfile. Adorei a Cobra Grande Boiuna com vários carregadores, e um polvo alaranjado engraçado, bom de brincar. Mas também tinha umas coisas quadradonas, bem feias, que não precisavam estar ali.
A melhor Rainha? Escolho duas: Monikinha da Rocinha, uma belezura mignon, e Raissa Machado, um mulherão maduro e já mãe (é bom que lança foco de gostosura sobre mulheres não tão garotas, seria a beleza balzaquiana acontecendo na frente dos ritmistas). A mais sábia rainha, aquela que não desfilou: Antonia Fontenelle se mandou antes de ver o desastre Caprichosiano e sua homenagem aos gringos. Mas como pode vir daí a competência de uma explosão, abrindo a hecatombe? Pois foi: Hélio Bejani escolheu Hans Donner e a Globeleza Valéria Valenssa para empolgar a multidão enfurecida. Simples e maravilhosa comissão de frente, para a Caprichosos esbagaçada logo a seguir.
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Melhor samba? Viradouro. Mas não posso deixar de dizer que o intérprete, Luis Paulo, vem num crescendo impressionante, puxando seu lado ator para dar ainda mais brilho no gogó. Ele se veste de personagem, interage, questionando este mito dos cantores inatingíveis, distante da Sapucaí. Acho que ele pertence à minha enfermaria: Carnaval é alegria e escândalo!