Por felipe.martins
A ilustração de Jaguar para a coluna deste sábadoDivulgação

Rio - A divulgação da campanha eleitoral de Donald (não o pato) Trump — tão rico quanto o Tio Patinhas — em horário nobre da Globo lembra uma daquelas bizarras comédias de Billy Wilder. Na propaganda, vemos três gurias fantasiadas de Tio Sam, com perninhas de gravetos que remetem a Olívia Palito aos 6 anos de idade. Cantam e dançam ao som de uma musiquinha com aquela bolinha saltitando de nota em nota da partitura para retardados mentais memorizarem.

A letra fala em “acabem com eles”. No caso, “eles” somos nós, bigodudos contrabandistas mexicanos e Carmens Mirandas mulatas que rebolam o traseiro o tempo todo, disputando cachos de bananas com os macacos num confuso território ao sul do Texas cuja capital é Buenos Aires. Isso sem falar nos fugitivos do Leste Europeu e dos homens e mulheres — bombas islamitas e muçulmanos em geral. Não que eu morra de amores pela Hillary, mulher de Bill Clinton. Mas daí a chamá-la de cadela, como Trump faz na sua campanha (“cuidem de seus cachorros”), aludindo a supostos insultos da pré-candidata democrata, é demais. Comparado à truculência de Trump, Bolsonaro parece um lorde inglês. Portanto, aí vai minha sugestão para Hillary revidar: todas as vezes em que ela mencionar o rival, a música de fundo seria uma paródia de ‘The Lady is a Tramp’ (‘A dama é uma vagabunda’), de Rodgers & Hart, imortalizada nas gravações de Sinatra e de Tony Bennett com Lady Gaga.

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Parece incrível que depois do bombardeio de imagens de larvas do Aedes aegypti que as tevês despejam sobre nós nenhuma mente doentia tenha bolado algo como a ‘zikadance’ ou ‘melô do chicungunha’. Sem trocadilho, iria viralizar nas redes sociais. Os frenéticos movimentos das larvas, que se encolhem e se esticam, poderiam se transformar numa coreografia que seria, dois sentidos, a febre deste verão.

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