Por felipe.martins

Rio - No Carnaval, Beyoncé, estrela da música pop mundial, chamou a atenção para a violência praticada por agentes do Estado. Perpetuada no histórico racismo estadunidense, a polícia americana foi duramente criticada pela cantora em um dos maiores eventos esportivos daquele país: o Super Bowl. Usou sua força e a grande exposição midiática para denunciar a morte violenta dos negros.

Aqui, apesar de toda luta para aprovação do projeto que põe fim aos autos de resistência, somos constantemente lembrados da escalada da violência policial que, recentemente, recebeu o reforço da Guarda Municipal.

Com fratura exposta no cotovelo e sem os movimentos de dois dedos da mão esquerda, o editor de vídeo João Pedro Gila passou dias num leito hospitalar. Na internet, o jornalista Bernardo Tabak mostrou imensos hematomas no corpo. E outros agredidos em blocos no Rio mostraram a brutalidade da Guarda no Carnaval. Ações sem sentido, irracionais e desmedidas.

O despreparo do comando da Guarda para lidar com pessoas que apinhavam as ruas numa celebração à cultura popular foi vergonhoso. Segundo Tabak, os agentes tentavam conter foliões exaltados com agressões: “Vi de longe guardas batendo gratuitamente, indiscriminadamente”.

A opressão de agentes públicos da prefeitura, aliada à curva crescente da intolerância e do conservadorismo, revela perfil perigoso e diverso do que é esperado de uma guarda cidadã. Ao agredir foliões no Carnaval, a GM se aproxima de ações violentas perpetradas com frequência por uma das polícias que mais matam no mundo — a do Rio.

A punição de agentes envolvidos na confusão com blocos é pouco. Manifestações são reprimidas sob o peso de cassetetes, tiros de borracha e bombas de efeito moral. As forças de segurança não podem se direcionar pelo entendimento de que a repressão e a violência devem prevalecer. Hoje, um espontâneo bloco de Carnaval. Depois, o que será?

Espera-se reformulação profunda da relação dos governantes com a população. O Rio é caldo de cultura, berço do samba, palco da música e da irreverência. Nada disso combina com o sangue e ferimentos de cidadãos. Muito menos por aqueles que deveriam estar a seu serviço, na proteção e prevenção ao crime.

Jandira Feghali é médica e dep. federal pelo PCdoB

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