Por felipe.martins

Rio - Depois de cinco anos de governo com a economia em ‘depressão econômica’, a presidente Dilma recorre a discursos de apelo populista ao insistir que Michel Temer vai acabar com os programas sociais e o Bolsa Família. Sua retórica não tem efeito em mudar o quadro do impeachment. Com derrotas consecutivas no Congresso — a última foi a tentativa ontem de anular a votação na Câmara, rechaçada pelo presidente do Senado — a presidente tenta sensibilizar os mais pobres que os programas sociais serão instintos.

Esquece Dilma que o economista e neoliberal Ricardo Paes de Barros, um dos idealizadores dos programas e do estudo do Ipea sobre desigualdade de renda no Brasil, será o responsável da área social para rever os programas e ajustar a realidade da crise fiscal com previsão de déficit estimado de R$ 90 bilhões em 2016.

No estudo, Ricardo mostra que o índice de desigualdade caiu no governo Lula em 4%. A renda dos mais pobres cresceu a uma taxa média de 7% acima dos 20% mais ricos. Não se tem dúvida que houve avanços sociais no governo Lula, mas a presidente durante o seu mandato não criou um único programa de alcance social e de crescimento da economia. Foi eleita escondendo as pedaladas fiscais do eleitorado à realidade do país.

Lula foi reeleito carregando como bandeira o Bolsa Família. O Ibope nas pesquisas pré-eleitoral mostrava que o programa seria responsável por sua vitória. Na reeleição de Dilma, o eleitorado do Nordeste com o maior número de beneficiados depositou nas urnas 70% dos votos. Dilma em final de mandato de um governo onde 67 corruptos já foram condenados pelo juiz Sérgio Moro traz a retórica do golpe. Recorre a intelectuais e a fóruns da comunidade internacional colocando o Brasil nas principais manchetes dos jornais do mundo. Tenta se salvar de seu próprio fracasso por não estar preparada para governar com a base aliada no Congresso.

O provável governo Temer, com o programa ‘Travessia para o futuro’, é de cunho neoliberal. Segue cartilha da ortodoxia na política monetária e fiscal para ajustar o Estado a uma nova realidade política e econômica. Temer, com a pasta da área social sob o comando de Ricardo, não vai acabar com os programas sociais. Dilma blefa em mais uma das suas bravatas.

Wilson Diniz é economista e analista político

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